Cabo da PM diz que coronel mandou grampear políticos de Mato Grosso

Gérson Correa foi interrogado e relatou como operava o esquema 'barriga de aluguel', que pegou advogados, juízes, médicos, jornalistas e parlamentares durante a campanha eleitoral de 2014 para o governo do Estado

Julia Affonso e Luiz Vassallo

19 de outubro de 2017 | 13h38

O cabo da Polícia Militar Gérson Correa acusou o ex-comandante da corporação, coronel Zaqueu Barbosa, de comandar o esquema ‘barriga de aluguel’, a máquina de grampos clandestinos que pegaram advogados, jornalistas, médicos, juízes e políticos de Mato Grosso. Correa afirmou que o oficial lhe repassava os números de telefones que deveriam ser monitorados e que o motivo da ação era ‘estritamente político’ a partir da campanha eleitoral de 2014 no pleito para o Governo do Estado – quando foi eleito Pedro Taques (PSDB).

O cabo é réu no processo criminal sobre a grampolândia de Mato Grosso. Ele foi interrogado nesta segunda-feira, 16. Correa decidiu colaborar com as investigações sobre o escândalo que abalou o governo de Mato Grosso.

As informações sobre as revelações de Correa foram divulgadas no site MidiaNews, de Cuiabá, pelos repórteres Thaiza Assunção e Camila Ribeiro, e confirmadas pela reportagem do Estadão.

O coronel está preso desde maio no Batalhão de Operações Especiais. Ele nega a acusação de ter comandado o ‘barriga de aluguel’.

Gerson Correa declarou no interrogatório que ouviu o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques – primo do governador Pedro Taques – contar que o motivo das interceptações clandestinas era ‘estritamente político’. Paulo Taques também foi preso.

O cabo disse que os grampos foram instalados durante a campanha eleitoral de 2014 para o Governo de Mato Grosso. Os alvos, segundo o militar, eram ‘adversários’ do então candidato tucano Pedro Taques. O governador nega enfaticamente envolvimento com o esquema de grampos.

“Os números dos telefones foram passados pelo coronel Zaqueu, que me orientoou a fazer o acompanhamento online dessas pessoas durante o período que antecedeu o pleito eleitoral de 2014”, declarou Correa.

Segundo o cabo, Zaqueu determinou a ele que somente escutasse ‘alvos políticos’, ‘devendo-lhe repassar qualquer situação suspeita que ouvisse’.
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O militar contou, ainda, que os grampos foram encerrados em outubro de 2015, dpeois que o coronel foi interrogado pelo ex-secretário de segurança Pública Mauro Zaque, sobre ‘barriga de aluguel’.

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