Bumlai faz exame de corpo de delito e dorme a primeira noite na cela da PF

Preso nesta terça-feira, 24, amigo do ex-presidente Lula é alvo da Operação Passe Livre, novo desdobramento da Lava Jato

Redação

24 Novembro 2015 | 20h17

 

Por Julio Cesar Lima, de Curitiba

O pecuarista José Carlos Bumlai já retornou para sua cela na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), onde ficará por tempo indeterminado. Bumlai chegou a Curitiba por volta do meio-dia e no meio da tarde deixou sua cela para realizar exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba (PR).  No final da tarde, sob forte chuva, o pecuarista, preso  de manhã em Brasília durante a 21ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Passe Livre, retornou à cela.

Bumlai é amigo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e pode receber nesta quarta-feira, 25, a visita de familiares. Bumlai foi preso quando estava na companhia dos filhos, em Brasília.

Bumlai foi preso na 21ª fase da Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

Bumlai foi preso na 21ª fase da Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

Pela manhã, durante entrevista coletiva, o procurador da República, Carlos Fernando dos Santos, disse, que apesar da proximidade com Lula, não é possível afirmar que o ex-presidente tenha agido diretamente nas negociações.

“Havia o uso do nome do ex-presidente, mas até o momento, em nossos levantamentos não houve alguma intercessão, apenas ouvimos nos depoimentos que as ordens vinham de cima”, comentou.

Bumlai é acusado de ter faturado R$ 12 milhões em contratos de alugueis de navios sonda para a Petrobras, assim como, ter intermediado o pagamento de contas do PT que atingiram R$ 60 milhões. “Não temos ainda como calcular todos os valores desviados, havia uma engenharia financeira muito grande”, avaliou.

Em relação ao empréstimo de R$ 12 milhões contraídos junto ao Banco Schain, eles não foram pagos e a dívida foi perdoada, o que foi considerada, pela polícia, como uma manobra para repasses de verbas para o Partido dos Trabalhadores com o objetivo de alimentar as campanhas políticas.

A prisão de Bumlai  aconteceu juntamente com 25 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e seis mandados de  condução coercitiva nas cidades de São Paulo/SP, Lins/SP, Piracicaba/SP, Rio de Janeiro/RJ, Campo Grande/MS, Dourados/MS e As investigações foram concentradas na apuração das circunstâncias de contratação de navio sonda pela Petrobras com indícios de fraudes nas licitações.