Bumlai é ‘homem de bem, honesto’, diz Lula à Lava Jato

Bumlai é ‘homem de bem, honesto’, diz Lula à Lava Jato

Defesa do pecuarista, preso na Operação Passe Livre, desiste do depoimento do ex-presidente, marcado para segunda-feira, 14, e junta declaração por escrito do petista

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

11 de março de 2016 | 14h33

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Atualizada às 16h02

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, por escrito, nesta quinta-feira, 10, que seu amigo José Carlos Bumlai – preso desde dia 24 de novembro na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato – é ‘homem de bem, honesto e pai de família exemplar, tendo-o na mais alta conta’. A declaração de Lula foi juntada pela defesa de Bumlai em documento que pede a desistência do depoimento do petista como sua testemunha de defesa.

Documento

O depoimento do petista está marcado para esta segunda-feira, 14, por videoconferência, mas poderá ser cancelado se a Justiça aceitar a desistência. O ex-presidente foi intimado a comparecer à Justiça Federal, em São Paulo.

A declaração de Lula é dividida em cinco itens. Um deles entra no mérito do motivo da prisão do amigo. O pecuarista é acusado de ter tomado empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões em outubro de 2004 junto ao Banco Schahin – em troca, o Grupo Schahin foi contratado para operar sondas na Petrobrás ao preço de US$ 1,6 bilhão, em 2009, no Governo Lula.

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“Jamais tive conhecimento de eventual interesse do Sr. Bumlai em negócios relativos a sondas de prospecção de petróleo, seja através do Grupo Schahin, seja de outros, assim como jamais manifestei a quem quer que fosse que esse assunto pudesse causar-lhe problemas ou pedi ajuda para “protege-lo” de um mal cuja existência desconheço”, afirma o ex-presidente em documento assinado de próprio punho.

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Bumlai responde ação penal por corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

No ofício ao juiz federal Sérgio Moro, os advogados do amigo de Lula juntaram um depoimento que o petista prestou à Polícia Federal, em Brasília, em dezembro de 2015.

“José Carlos Costa Marques Bumlai, por seus advogados, nos autos da ação penal em epígrafe, vem à presença de V. Exa. desistir da oitiva de Luiz Inácio Lula da Silva, bem como requerer a juntada do termo de depoimento prestado por ele à Polícia Federal (doc. n° 1) e da declaração prestada por escrito (doc. n° 2), tendo em vista que o teor desses documentos representa o conteúdo de prova que se pretendia produzir com tal testemunho.”

No início da tarde desta sexta-feira, 11, o juiz federal Sérgio Moro afirmou em despacho que ‘as declarações juntadas por escrito do ex-presidente, não tendo caráter exclusivamente abonatório, não poderá ser atribuído valor probatório’.

“Declarações que digam respeito aos fatos em apuração devem ser prestadas em Juízo, sob contraditório, para terem valor probatório, como exigência do art. 155 do CPP”, sustentou. “Quanto ao depoimento do ex-presidente, intime-se, com urgência e por telefone, a Defesa de José Carlos Bumlai para que esclareça se persiste na desistência mesmo sem que as declarações escritas do ex-presidente possam ser consideradas como prova nesta ação penal.”

 

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