Bumlai e Delúbio Soares ficam frente a frente na Lava Jato

Bumlai e Delúbio Soares ficam frente a frente na Lava Jato

Pecuarista amigo de Lula e ex-tesoureiro do PT vão fazer acareação nesta segunda em audiência com Moro no processo sobre empréstimo de R$ 12 milhões do Banco Schahin

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

27 de junho de 2016 | 11h55

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Delúbio Soares (esq) e José Carlos Bumlai (dir). Foto: Estadão

O ex-tesoureiro do PT condenado no mensalão Delúbio Soares e o pecuartista José Carlos Bumlai, ambos réus na Lava Jato, ficam frente a frente nesta segunda-feira, 27, diante do juiz Sérgio Moro, em Curitiba. Personagens do polêmico empréstimo de R$ 12 milhões do Banco Schahin ao PT por intermédio de Bumlai, os dois vão fazer uma acareação nesta tarde para esclarecer o episódio que já rendeu duas ações penais na Lava Jato.

A operação de crédito do banco com Bumlai foi realizada em outubro de 2004, e contou com a participação de Delúbio e Vaccari, segundo o MPF. Os executivos do banco que fizeram delação e próprio pecuarista admitiu, após ser preso, que o valor de R$ 12 milhões era destinado ao PT. O valor nunca chegou a ser quitado e, segundo a Lava Jato, teria sido compensado por meio da contratação da Schahin, pertencente ao mesmo grupo empresarial do banco, pela Petrobrás para operar o navio-sonda Vitória 10.000, em 2009.

A transação financeira já deu origem a uma ação penal contra Bumlai, os executivos do banco, Vaccari e ex-executivos da Petrobrás. Além disso, os investigadores descobriram que parte do empréstimo, o total de R$ 6 milhões, teria sido destinado ao empresário de Santo André, Ronan Maria Pinto, que teria recebido essa quantia a partir de um complexo esquema de transações financeiras utilizando intermediários para adquirir o jornal Diário do Grande ABC e evitar a veiculação de notícias que relacionassem seu nome à morte do prefeito de Santo André Celso Daniel.

Esta segunda transação também deu origem a uma ação penal que tem Delúbio como réu e é nela que o juiz da Lava Jato vai ouvir as versões do ex-tesoureiro petista, condenado a seis anos e oito meses de prisão por corrupção e formação de quadrilha, e do pecuarista. Delúbio recebeu o indulto do STF de sua pena do mensalão em março deste ano, quando já cumpria parte de sua pena em casa, mas voltou a ser preso em abril na Operação Carbono 14, a 27ª fase da Lava Jato e que deu origem à denúncia contra ele.

O ex-tesoureiro do PT nega envolvimento em irregularidades.

 

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