Bumlai diz que ‘encaminhava’ demandas ao Instituto Lula

Bumlai diz que ‘encaminhava’ demandas ao Instituto Lula

Pecuarista amigo do ex-presidente declarou à Polícia Federal que 'muitas pessoas' o procuravam pedindo que fizesse contato com entidade para 'viabilizar ao menos a apreciação'

Julia Affonso, Andreza Matais e Ricardo Brandt

23 de dezembro de 2015 | 18h54

Pecuarista José Carlos Bumlai, preso na Lava Jato, embarca para Curitiba

Pecuarista José Carlos Bumlai, preso na Lava Jato, embarca para Curitiba

O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai afirmou em seu terceiro interrogatório à Polícia Federal que repassava demandas à Clara Ant, do Instituto Lula. Segundo o amigo do ex-presidente Lula, muitas pessoas solicitavam a ele que fizesse contato junto à entidade, uma vez que encaminhavam demandas via-email ao Instituto e não tinham resposta.

O terceiro interrogatório de Bumlai ocorreu na segunda-feira, 21. Segundo o site do Instituto, Clara Ant integra a diretoria do Instituto Lula. Ela foi assessora especial de Lula nos dois mandatos do petista na Presidência da República (2003/2010)

“Esclarece que muitas pessoas encaminhavam demandas via e-mail ao Instituto Lula e que, ante a ausência de respostas, solicitavam ao reinterrogando, na medida do possível, que fizesse contato junto ao Instituto para viabilizar ao menos a apreciação dos pedidos”, declarou.

“Nestes casos, o reinterrogando procurava Clara Ant, diretora do Instituto Lula, e repassava os pedidos. Então, eles eram apreciados; que perguntado se exercia funções de “secretário” de Luiz Inácio Lula da Silva disse que não, apenas repassava demandas a Clara Ant.”

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A Polícia Federal perguntou a Bumlai qual era a forma de comunicação que ele mantinha Lula. “Disse que entrava em contato através do número de sua esposa; que pelo que o reinterrogando sabe, Luiz Inácio Lula da Silva nunca possuiu um número de celular próprio; que durante os anos de 2014 e 2015, não repassou qualquer demanda deste tipo, isto é, de interessados em solicitarem reuniões, palestras e outros pleitos a Luiz Inácio Lula da Silva.”

Bumlai está preso desde 24 de novembro quando foi deflagrada a Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato que investiga empréstimo de R$ 12 milhões contraído por ele em outubro de 2004 junto ao Banco Schahin – o real destinatário do dinheiro foi o PT, segundo confessou o pecuarista. O amigo de Lula e outros 10 investigados são acusados de participar de um esquema de propinas na contratação da Schahin Engenharia, em 2009, como operadora do navio-sonda Vitoria 10.000, envolvendo o empréstimo de R$ 12 milhões.

QUALIFICA BUMLAI

“Indagado se confirma que nunca conversou com o ex-presidente sobre o problema que enfrentava com a Schahin, disse que nunca conversou sobre este tema com ele; que indagado se mantém sua última afirmação, uma vez que lhe foi demandado que dissesse se tem certeza sobre o fato de que nunca tratou de seu empréstimo com Lula, disse que acredita e que tem quase certeza de que nunca tratou deste tema com o ex-Presidente”, afirmou.

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Durante o depoimento, Bumlai foi questionado novamente se confirmava que nunca havia tratado de assuntos comerciais e políticos com o ex-presidente. “Gostaria de esclarecer que não possui relações comerciais com Lula.”

O Instituto Lula não vai comentar.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ARNALDO MALHEIROS FILHO, DEFENSOR DE JOSÉ CARLOS BUMLAI

“Há um grande empenho das autoridades em pressionar Bumlai para que, de alguma maneira, envolva Lula na apuração da Lava Jato. É inegável e notória a amizade entre ambos. O que não existe é intermediação criminosa daquele junto a este para a realização de negócios ou patrocínio de negócios privados de terceiros. A única vez em que Bumlai teve interesse em apresentar alguém a Lula – sem que isso configure crime algum – foi em razão de um pedido já formulado pelo embaixador do Qatar, num momento em que ele fez uma tentativa de fechar um negócio naquele país, sem obter êxito.”

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