‘Dr. Bumbum’ já é alvo de 21 ligações ao Disque-Denúncia

‘Dr. Bumbum’ já é alvo de 21 ligações ao Disque-Denúncia

Médico Denis César Barros Furtado e sua mãe são considerados foragidos após a morte da bancária Lilian Calixto e polícia oferece R$ 1 mil de recompensa a quem passar informação que leve a eles

Julia Affonso

19 Julho 2018 | 13h22

Foto: Reprodução

A central de atendimentos do Disque-Denúncia do Rio informou que já recebeu 21 informações sobre o médico Denis César Barros Furtado, o ‘Dr. Bumbum’, de 45 anos, e sua mãe, Maria de Fátima Barros Furtado, de 66. Ambos estão foragidos da Justiça. O número de denúncias foi atualizado às 17h de quarta-feira, 18.

Mãe e filho são investigados pela morte da bancária Lilian Calixto, de 46 anos. Ela se submeteu a um procedimento estético no apartamento do ‘Dr. Bumbum’, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no sábado, 14

O Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 1 mil por informações que levem a polícia ao ‘Dr. Bumbum’ e a sua mãe. Os dois foram indiciados pela Polícia.

A bancária passou mal após realizar procedimento para preenchimento de glúteos. Lilian saiu de Cuiabá, onde morava, para fazer o tratamento com o médico.

Após a intervenção, a bancária passou mal e teve complicações. Ela foi levada pelo próprio médico, pela mãe, pela técnica de enfermagem Rosilane Silva e pela secretária Renata Cirne – suposta namorada do ‘Dr. Bumbum’ – ao Hospital Barra D’Or, onde chegou em estado considerado extremamente grave pelos médicos.

Mesmo após manobras de recuperação, não foi possível reverter o quadro de Lilian. A bancária morreu na madrugada de domingo, 15.

A morte da bancária fez reabrir antiga polêmica sobre o exercício ilegal da profissão. Segundo especialistas, ‘Dr. Bumbum’ pode ser enquadrado em vários crimes.

Como ligar para o disque-denúncia

Informações sobre a localização do médico e de sua mãe podem ser repassadas ao Disque-denúncia por meio dos telefones 21-2253 1177 e 0300 253 1177 (custo de ligação local) e também pelo aplicativo “Disque Denúncia RJ”, disponível para celulares com sistema operacional Android ou IOS. O anonimato é garantido ao denunciante.

Quem é o ‘Dr Bumbum’

Antes do crime de que é acusado – homicídio com dolo eventual, por ter provocado a morte da vítima ao injetar polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, nos glúteos da paciente – Furtado demonstrava desembaraço na propaganda de seu trabalho. De jaleco, dirigia-se em vídeos a 655 mil seguidores no Instagram e 45 mil no Facebook. Falava de doenças, citava Sigmund Freud e Charles Chaplin e criticava os conselhos de medicina. Acusava as entidades de “cerceamento” de certos procedimentos que realizava.

“Médicos como eu, que buscam inovar, são tão perseguidos que pensam em desistir e deixar pra lá (as práticas de) estudar e se atualizar, e se render ao sistema (sic)”, escreveu, em janeiro. “Na minha opinião, (o sistema) lucra mais com doença que com saúde, perseguindo e vetando qualquer novidade que ameace a indústria e as mentiras já impostas como fatos.”

O que diz a defesa do ‘Dr. Bumbum’

Em uma entrevista coletiva que durou menos de quinze minutos, a advogada Naiara Baldanza deixou de responder pontos importantes do caso, como se o médico operava em sua residência ou quando ele deve se entregar a polícia. Ela afirmou que o julgamento em relação ao médico é precoce e que ele tem episódios de síndrome do pânico, por isso a dificuldade em se entregar a polícia.

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