Brumadinho: a tragédia e a politicalha

Brumadinho: a tragédia e a politicalha

Bady Curi Neto*

03 de fevereiro de 2019 | 12h00

Barragem da Vale se rompeu em Brumadinho (MG). FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

O Brasil e o mundo acompanham a tragédia do rompimento da barragem de resíduos da mineradora Vale, na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais. O desastre, ou crime ambiental, que ceifou várias vidas e desabrigou tantas outras, mobilizou, de imediato, uma forte campanha de solidariedade às famílias das vítimas.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, chegou da Europa, vindo do encontro em Davos, na Suíça, e imediatamente deslocou-se para Minas Gerais, no intuito de prestar solidariedade e tomar as medidas necessárias ao lado do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, mesmo com uma cirurgia marcada para a retirada da bolsa de colonoscopia.

O Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Defesa Civil, em esforço sobre-humano, trabalham dia e noite na tentativa de encontrar sobreviventes, ou mesmo devolver os corpos que sucumbiram, aos seus familiares. O Governo de Israel, em gesto humano e solidário, enviou homens com os mais modernos equipamentos para ajudar na localização de possíveis sobreviventes, em uma demonstração de solidariedade com os brasileiros.

Infelizmente, alguns políticos e seus asseclas, sobretudo os de esquerda, resolveram aproveitar, covarde e desumanamente, para atacar o novo governo, atribuindo-o alguma responsabilidade pelo acidente.

Algumas pessoas chegaram a comemorar a tragédia, em suas redes sociais, devido ao fato de Jair Bolsonaro ter tido 60% dos votos naquela localidade. O jornalista Reinaldo Azevedo atribuiu a tragédia à nova gestão. Outros criticaram a presença do Exército de Israel, que veio prestar ajuda às próprias expensas do governo do seu país.

Já Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores, o deputado Paulo Pimenta e outros deputados do partido compareceram ao local do desafortuno, fazendo da lama, do sofrimento alheio e das vítimas, palanque para um discurso político mesquinho, disfarçado de solidariedade.

Em franco escárnio, Gleisi e seus colegas conclamaram, no local do desastre, uma CPI das Mineradoras. Ora, CPI se convoca no foro competente, ou seja, na Câmara dos Deputados.

A meu ver, a atitude da presidente do PT não é demonstração de irmandade com o povo de Brumadinho e de Minas Gerais, mas sim uma demonstração clara de politicalha.

É de se perguntar: o que essa senhora e Paulo Pimenta fizeram de efetivo após o acidente de Mariana, quando sua aliada Dilma Rousseff era a representante maior da nação e seu correligionário, Fernando Pimentel, era o governador do Estado?

Por óbvio, há de se apurar as responsabilidades com todo o rigor que merece o caso, mas o momento é de união de esforços em busca das pessoas, no intuito primeiro de salvar vidas, e depois de encontrar os corpos tombados.

O que não se admite, de forma alguma, em pleno sofrimento das vítimas, seus familiares e a todos os mineiros, repita-se, é comemoração ideológica (de esquerdopatas), inconformados com a derrota de seu candidato e que políticos inescrupulosos façam da dor dos entes das vítimas um palanque político, sobre os corpos e sofrimentos.

*Bady Curi Neto, advogado fundador do Escritório Bady Curi Advocacia Empresarial, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG)