Brincar para entender

Brincar para entender

Andréia Saltz Grinberg*

21 de junho de 2020 | 09h00

Andréia Saltz Grinberg. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

No universo infantil, o ato de brincar tem papel fundamental: a seu tempo e à sua maneira, a criança vai se desenvolvendo e atribuindo significado às experiências. E através da representação no mundo da fantasia, vai elaborando suas vivências internas, seus conflitos, e vai amadurecendo suas aptidões. Ao brincar, uma criança não apenas explora o ambiente à sua volta: também constrói sua própria identidade.

Vai levar um bom tempo até conseguirmos mensurar, em nossas vidas, os efeitos reais do que estamos vivendo. Seja na saúde, na economia, ou no plano emocional das pessoas, o que sem dúvida é preocupante. Com as crianças, independentemente da idade, não é diferente. E é aí que o brincar nos atenta para mais um significado importante, que é usá-lo como forma de comunicação, de leitura de mundo, e de expressão dos afetos.

Brincar é portanto um recurso para não deixar as crianças sem resposta. Devemos adequar os fatos e as verdades ao nível de compreensão de cada um e, nesse sentido, o lúdico adquire uma importância imensa: o de informar não apenas pela via do medo, mas pelo caminho do entendimento pela leveza.

Se de um lado lamentamos e sofremos com as privações de convívio social, da família estendida e da ausência do ambiente escolar, por outro lado penso que pais, mães e cuidadores diretos estão tendo uma oportunidade singular de convivência mais próxima. O que nos possibilita acompanhar mais de perto, resgatar valores e acolher, em que pese dar conta de uma demanda exaustiva no exercício do desempenho de diversos papéis de coordenação do contexto atual.

E não seria a hora de nós, adultos, resgatarmos um pouco a capacidade lúdica que temos dentro de nós, tão importante para nossos filhos? Resgatar a invencionice é também conseguir se abrir para novas experiências, à espera de dias mais coloridos, através de nossa esperança.

Brincar também é aprender, e aprender brincando é muito mais divertido!

*Andréia Saltz Grinberg, psicóloga clínica

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