Bretas manda Sérgio Cabral para presídio federal

Bretas manda Sérgio Cabral para presídio federal

Pedido foi apresentado pelo procurador da República Sérgio Pinel, sob alegação de que o ex-governador do Rio teve acesso a informações privilegiadas

Constança Rezende/RIO

23 de outubro de 2017 | 15h52

Sérgio Cabral. Foto: Wilton Júnior/Estadão

O juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, determinou o encaminhamento do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) para um presídio federal. A decisão foi tomada nesta segunda-feira, 23, a pedido do procurador Sergio Pinel, em nome do Ministério Público Federal (MPF). Ainda não foi escolhida a prisão para onde será transferido o ex-governador, que está detido na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte da capital fluminense.

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O procurador fez a manifestação depois que de Cabral citou, em depoimento nesta segunda-feira, 23, que Bretas tem familiares que vendem bijuterias. A afirmação ocorreu quando o ex-governador justificava as compras de joias feitas por ele e pela mulher, Adriana Ancelmo, na H Stern supostamente com dinheiro oriundo de corrupção. A informação, porém, não é sigilosa. Já fora veiculado em reportagens veiculadas que familiares de Bretas possuíam uma loja de adereços na Saara, no Centro.

O pedido foi aceito por Bretas que disse que a declaração poderia até ser subentendida como ameaça. “É no mínimo suspeito e inusitado o acusado, que não só responde a esta processo como outros, venha aqui trazer em juízo informações sobre a rotina da família do magistrado. Além de causar espécie, como bem observou o MPF, de que apesar de toda a rigidez ele tenha se privilegiado de informações que talvez ele não devesse”, disse Bretas.

Já Pinel declarou que o MPF achou muito grave que Cabral tenha obtido na prisão informações sobre a vida da família do magistrado. “A prisão não tem sido suficiente para afastar o réu de informações de fora da cadeia. Não sei como ele chegou a essa informação, mas foi indevida. O preso está na cadeia justamente para se afastar do convívio da sociedade, não ter informações das testemunhas e dos atores do processo, como por exemplo o magistrado”, disse.

O advogado Rodrigo Roca considerou arbitrária decisão de transferência. “É evidente que ele (Bretas) esticou muito o conceito do que pode ser entendido como ameaça. Não teve uma ameaça. Se tivesse tido alguma ameaça o magistrado teria tomado alguma atitude que não essa. Ele (Cabral) é vigiado no presídio 24 horas, com cerca de 30 câmeras. Os presos entram e saem e levam informações que querem”, afirmou.

Roca também declarou que a afirmação de Cabral sobre a família do juiz “não tem nenhuma relevância para o processo”. ” Foi um comentário que não vou dizer que seja infeliz, mas desnecessário. Por ser desnecessário, não acho que deveria ter sido levado em conta. Além disso, vai dificultar o exercício da defesa que já estava difícil tamanho o número de processos contra ele”, argumentou.

Em reportagens veiculadas na imprensa, foi divulgado que familiares de Bretas possuíam uma loja de adereços no mercado do Saara, no centro do Rio.

Durante todo o depoimento de Cabral a Bretas, nesta segunda-feira, tiveram momentos de tensão. O juiz chegou a suspender por cinco minutos o depoimento do ex-governador, tamanha a tensão entre os dois. A decisão foi tomada logo após Cabral insinuar que Bretas tentava promoção com seu processo.

“O senhor está encontrando em mim uma possibilidade de gerar uma projeção pessoal me fazendo um calvário”, disse Cabral.

Em seguida, Bretas perguntou ao advogado de Cabral se a orientação de fazer estas declarações contra o juiz teriam partido dele. O advogado negou e disse que a pergunta seria uma ofensa.

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