Bretas é citado em conversa de investigados em operação que prendeu empresário no Rio

Bretas é citado em conversa de investigados em operação que prendeu empresário no Rio

A citação foi feita durante conversa entre um operador financeiro e um suposto sócio de Mário Peixoto, preso por determinação do próprio juiz federal

Fábio Grellet/RIO

19 de maio de 2020 | 22h13

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, foi citado em conversas telefônicas interceptadas durante as investigações referentes à Operação Favorito, que na última quinta-feira (14) prendeu o empresário Mário Peixoto, acusado de desvios em contratos com o governo estadual na área da Saúde, e o ex-deputado estadual Paulo Melo. As ordens de prisão foram emitidas pelo próprio Bretas.

A citação foi feita durante conversa entre um operador financeiro e um suposto sócio de Peixoto. Esse trecho da conversa não foi considerada importante pelo Ministério Público Federal (MPF), responsável pela acusação a Peixoto, já que as partes não se referiam ao tema da investigação, as fraudes em contratos públicos.

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio. Foto: André Dusek / Estadão

A TV Globo divulgou nesta terça-feira, 19, o suposto conteúdo da conversa. Segundo a emissora, em um dos trechos uma das pessoas diz: “O nosso Governador, o WW, ele tinha um parceiro que estava encobrindo as coisas dele, que é um ‘’tripolar’’, que é o nosso juiz, o Bretas. E de repente o Bolsonaro cooptou o Bretas”. Ao que o interlocutor resposta: “É, vai ser ministro”. E o primeiro continua: “E hoje, e hoje a ideia do Bretas é colocar o Witzel na cadeia”. As letras WW se referem ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

Em outro trecho da conversa entre as mesmas pessoas, uma delas diz: “Eu sei porque o nosso amigo, o meu amigo lá, está em maus lençóis. Mas já botou uma tropa de choque”. O interlocutor diz: “Já está com a barba de molho.” E a primeira pessoa segue: “Não, botou uma tropa de choque pra trabalhar, e tá pagando um cachêzinho, aquele cachêzinho básico, R$ 500 mil para um, R$ 1 milhão para outro. Que ele não é brincadeira não. Só de janeiro e fevereiro são dois emergenciais. Um na CST Tecnologia, lá na Faetec, de R$ 35 milhões de reais na Átrio. E outro de R$ 26 milhões no Detran. Ele não tem jeito, ele é do c., aquele… mas por quê?”

O outro responde: “Deixa eles se picarem”. E o primeiro então conclui: “Porque o Bretas não consegue pegar o WW, mas está querendo pegar um dos dois. Ou o amigo, o MP, ou o pastor”.

MP seria uma referência a Mário Peixoto, segundo a polícia.

A reportagem não conseguiu ouvir o juiz Bretas, nesta terça-feira, a respeito das menções a seu nome. À TV Globo, a assessoria da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro informou que ele não vai se manifestar.

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