Braskem entrega à PF e-mails do caso Odebrecht

Braskem entrega à PF e-mails do caso Odebrecht

Mensagens fazem referência a sobrepreço de US$ 25 mil por dia em contrato de afretamento e operação de sondas

Redação

26 de junho de 2015 | 13h06

Pólo petroquímico da Braskem em Santo André, bairro Parque Capuava. Foto: Daniel Teixeira/AE

Pólo petroquímico da Braskem em Santo André, bairro Parque Capuava. Foto: Daniel Teixeira/AE

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

A petroquímica Braskem, controlada pela Odebrecht e que tem a Petrobrás como sócia, informou nesta sexta-feira, 26, que entregou à Polícia Federal todas as mensagens eletrônicas do ex-funcionário Roberto Prisco Ramos armazenadas nos servidores da empresa. Segundo a Braskem, o processo de coleta foi auditado por empresa independente e ‘certificado com fé pública por tabelião’.

As correspondências haviam sido solicitadas pela PF nos autos da Operação Lava Jato. Segundo a PF, uma das provas da Operação Lava Jato que pode incriminar Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País, preso desde sexta-feira, 19, é uma troca de e-mails com executivos, entre eles Roberto Ramos. A mensagem eletrônica, de 2011, faz referência à colocação de sobrepreço de US$ 25 mil por dia em contrato de afretamento e operação de sondas.

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“Roberto Prisco Ramos deixou de ser funcionário da Braskem em dezembro de 2010, quando foi transferido para outra empresa da Organização Odebrecht. O e-mail abordando as questões de sondas de óleo e gás, datado de março de 2011 e que está em posse das autoridades policiais desde novembro de 2014, não tem relacionamento com as atividades operacionais da Braskem”, afirmou a Braskem em nota.

O e-mail foi enviado por Roberto Ramos a Marcelo Odebrecht e três executivos da empreiteira, Fernando Barbosa, Márcio Faria e Rogério Araújo, estes dois últimos também presos.

“A empresa reafirma que segue empenhada na elucidação dos fatos e à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações.”

Na quarta-feira, 24, a Polícia Federal informou à Justiça que havia apreendido, por volta de 10h da segunda-feira, 22, um bilhete manuscrito de Marcelo Odebrecht, que seria entregue a seus advogados. O bilhete, segundo a PF, contém a expressão ‘destruir e-mail sondas’.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

A PF copiou o bilhete e informou ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, que “como de praxe as correspondências dos internos são examinadas por medida de segurança”. Na noite de terça-feira, 23, a própria defesa da empreiteira já havia entregue petição a Moro em que apresenta sua versão para o caso.

Documento

A descoberta do bilhete foi comunicada à Justiça Federal pelo delegado Eduardo Mauat da Silva, que integra a força-tarefa da Lava Jato. Ele informou que na manhã de terça-feira, 23, os advogados de Odebrecht, Dora Cavalcanti e Rodrigo Sanches Rios, estiveram em seu gabinete, ‘ os quais ponderaram que o verbo ‘destruir’ se referia a uma estratégia processual e não a supressão de provas, destacando que o documento original teria sido levado a São Paulo por outro advogado e que iriam apresentá-lo’.

A Odebrecht nega envolvimento com o esquema de propinas instalado na Petrobrás. Também afirma que não participou de cartel de empreiteiras que se apossaram de contratos bilionários da estatal petrolífera. Nesta quinta-feira, 25, os advogados da Odebrecht impetraram habeas corpus, com pedido de liminar, em favor do presidente da companhia.

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