Braskem é alvo de busca e apreensão na Lava Jato

Braskem é alvo de busca e apreensão na Lava Jato

Doleiro da Lava Jato afirmou em delação que diretor da Odebrecht teria negociado propina da Odebrecht/Braskem com ele e o então diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa

Redação

19 de junho de 2015 | 16h45

Pólo petroquímico da Braskem em Santo André, bairro Parque Capuava. Foto: Daniel Teixeira/AE

Pólo petroquímico da Braskem em Santo André, bairro Parque Capuava. Foto: Daniel Teixeira/AE

Atualizada às 18h25

Por Andreza Matais, Julia Affonso, Ricardo Brandt

A Polícia Federal cumpriu mandado nesta sexta-feira, 19, de busca e apreensão na sede da empresa Braskem, gigante dos setores químico e petroquímico. O doleiro Alberto Youssef afirmou em delação premiada que Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, diretor da Odebrecht, teria negociado o pagamento de propina da Odebrecht/Braskem com ele e o então diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

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O executivo teria acertado o pagamento de U$ 5 milhões ao ano para Youssef e Paulo Roberto em troca de a Petrobrás vender para a Braskem uma cesta de serviços pelo mesmo preço praticado no mercado internacional, inferior ao cobrado pela petroleira no mercado interno. Da propina, 30% iria para Paulo Roberto e 70% para o Partido Progressistas (PP).

ESPECIAL: Entenda o esquema investigado pela Lava Jato

O pagamento da propina seria feito no exterior e intermediado pelo diretor financeiro da Odebrechet Cesar Ramos Rocha, conhecido pela alcunha de “Naruto”. Reforçaram os indícios de esquema, email apreendido pela PF na Odebrecht na sétima fase da Lava Jato enviado por Roberto Prisco Ramos, ex-funcionário da Braskem e que já na época do e-mail atuava para a Odebrecht, para o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrechet, e outros executivos da empresa. Na mensagem, se faz referência a colocação de um sobrepreço da ordem de 20 a 25 mil dólares por dia em contrato de operação de sondas. Alexandrino e Cesar Rocha foram presos hoje na 14a fase da Lava Jato.

COM A PALAVRA, A BRASKEM

A Braskem confirma que a Polícia Federal está cumprindo mandado de busca e apreensão em seu escritório em São Paulo no âmbito da Operação Lava Jato.

Em relação ao e-mail amplamente divulgado pela imprensa, a Braskem esclarece o seguinte:

– Todo o conteúdo da mensagem, incluindo a operação de sondas, não tem relação com qualquer atividade da Braskem.

– O autor do e-mail trabalhou na Braskem até dezembro de 2010 e, na data da referida mensagem, já havia sido transferido para outra empresa da Organização Odebrecht.

A Braskem segue empenhada na elucidação dos fatos e à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações.

Veja quais são todas as fases da Operação Lava Jato:

1ª fase (17/03/2014) – PF deflagra a Operação Lava Jato em sete estados e cumpre 130 mandados judiciais;

2ª fase (20/03/2014) – PF cumpre 6 mandados de busca e 1 de prisão temporária;

3ª fase (11/04/2014) – PF cumpre 16 mandados de busca, 3 de prisão temporária e 6 de condução coercitiva;

4ª fase (11/06/2014) – PF cumpre 1 mandado de busca e 1 mandado de prisão preventiva;

5ª fase (01/07/2014) – PF cumpre 7 mandados de busca, 1 de prisão temporária e 1 de condução coercitiva;

6ª fase (22/08/2014) – PF cumpre 15 mandados de busca e 1 de condução coercitiva;

7ª fase (14/11/2014) – PF cumpre 49 mandados de busca, 6 de prisão preventiva, 21 de prisão temporária e 9 de condução coercitiva;

8ª fase (14/01/2015) – PF cumpre 1 mandado de prisão preventiva;

9ª fase (5/02/2015) – Operação My Way cita Vaccari e mais 10 operadores de propinas na Petrobrás;

10ª fase (16/03/2015) – PF deflagra 10ª fase da Lava Jato e Renato Duque é preso;

11ª fase (10/04/2015) – Três ex-deputados são presos em nova etapa da Lava Jato que apura publicidade da Caixa;

12ª fase (15/04/2015) – PF prende tesoureiro do PT em nova fase da Operação Lava Jato;

13ª fase (21/05/2015) – PF deflagra 13ª fase da Lava Jato

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