Brasileiro perde poder de compra com dinheiro na poupança

Brasileiro perde poder de compra com dinheiro na poupança

Moacy Veiga*

24 de novembro de 2020 | 04h30

Moacy Veiga. FOTO: DIVULGAÇÃO

A caderneta de poupança ainda é um atrativo para a maioria da população brasileira. Isso justifica os recordes de depósitos consecutivos desde quando começou a pandemia, por conta da Covid-19. Na tentativa de manter a renda durante o período da crise e como medida de precaução somada ao medo de perder dinheiro, as famílias recorreram à aplicar recursos na popular renda fixa.

O Banco Central (BC) divulgou que, em outubro, o montante de mais de R$ 7 bilhões em depósitos líquidos, totalizando, desde o início da pandemia, em março, a captação de R$ 144,2 bilhões, o maior volume em toda a série histórica, que começou em 1995. Poupar uma parte da renda é de extrema importância para todos, especialmente diante desse cenário de crise.

No entanto, com a poupança acompanhando a Selic (taxa básica de juros), que está a 2% ao ano, em seu menor patamar histórico, o rendimento é de apenas 1,4% ao ano. Esse percentual acaba sendo igual ou menor que a inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – IPCA), com alta de 0,86% em outubro, acumulada em 3,92%, segundo o Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, o reflexo dessa quase inexistência de rendimento anual do dinheiro depositado na poupança é a perda expressiva do valor de compra. A sensação de ‘segurança’, muito difundida e atribuída à velha caderneta, requer melhor compreensão de como funcionam as aplicações, o cenário econômico atual, acompanhamento das atualizações do mercado financeiro, ou seja, um verdadeiro mergulho em educação financeira.

Antes mesmo de a pandemia começar, os brasileiros começaram o ano com aplicações em baixa na poupança, fazendo mais saques que depósitos, chegando a R$ 15,93 bilhões de retiradas entre janeiro e fevereiro. Isso demonstra um comportamento totalmente reativo em relação ao investimento a longo prazo, como se a crise fosse o único motivador para poupar, ou mesmo para se precaver de situações desfavoráveis.

Não estou dizendo para a sociedade parar de economizar e de acreditar na poupança, longe disso. Porém, existe uma gama de possibilidades para aplicação de recursos com melhores oportunidades de rendimento. É possível ter uma carteira de investimentos equilibrada, com produtos de renda fixa, mas, também, pensar em ingressar na Bolsa de Valores (B3), por exemplo.

Atualmente, a B3 está com 3,14 milhões de pessoas físicas cadastradas, sendo que a metade delas começou a comprar e vender ações neste ano. Com isso, já são R$ 381 bilhões movimentados no mercado brasileiro de ações. O primeiro passo é estudar muito sobre finanças, e dedicar tempo para reverter esse cenário de oscilações na vida financeira apenas em decorrência da crise. É preciso mudar o pensamento em relação ao futuro do dinheiro, não só para conquistar um rendimento maior, mas para garantir um poder de compra digno.

*Moacy Veiga é administrador de empresas e CEO da Kinvo

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