Brasileiro investe menos do que deveria em treinamento

Fredy Figner*

12 Agosto 2018 | 05h00

Em relação aos Estados Unidos e outros países de grande economia, as empresas brasileiras investem consideravelmente menos em treinamento e desenvolvimento de seus funcionários. É o que aponta a pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Treinamento 2017/2018.

O estudo, realizado com 738 empresas, mostra que elas investem cerca de R$ 788 por funcionário ao ano. E, mesmo com o crescimento de 21% em relação ao ano anterior, trata-se de um valor ainda muito aquém do investimento das empresas norte-americanas, que investem mais de US$ 1,2 mil por colaborador, o que convertido em reais revela a impressionante média de R$ 4,6 mil.

Os investimentos em treinamento na área da industrial são os maiores, seguida pelo setor de serviços. O levantamento da Associação Brasileira de Treinamento revela, entretanto, que a área comercial é a que menos investe.

Partindo destes dados conseguimos entender os constantes erros do varejo brasileiro, tais como vendedores mal preparados e representando marcas de forma equivocada no ponto comercial.

Um erro muito comum em todos os seguimentos são treinamentos ministrados por profissionais que desconhecem as técnicas da educação focada no adulto, além do mau uso das ferramentas de treinamento: como jogos, dinâmicas e teorias que não retratam a realidade das equipes. E o mais grave: a aplicação de um treinamento sem um correto diagnóstico para entender qual a real necessidade daquele time.

O Levantamento de Necessidade de Treinamento (LNT) é fundamental para o sucesso de um programa, além de mensurar os resultados da equipe pós-treinamento. Alguns treinamentos ministrados por profissionais não habilitados podem, inclusive, reforçar vícios comportamentais.

As empresas e as áreas de Recursos Humanos falham ao contratar “treinamentos de prateleira”, os chamados treinamentos prontos, sem considerar que é necessária uma adequação à necessidade do negócio e o perfil da equipe.

Outro dado apontado pela pesquisa é que, no Brasil, os colaboradores recebem em média 21 horas de treinamento por ano, cerca de 36 % a menos que os colaboradores dos Estados Unidos, que treinam 33 horas por ano. Essa diferença impacta significativamente no desempenho de nossos profissionais, tanto nas competências técnicas e quanto nas competências comportamentais.

Os treinamentos comportamentais mais aplicados no Brasil são os de liderança que, quando bem conduzidos, impactam diretamente nas equipes e, consequentemente, nos negócios.

Líderes mal preparados que andam desalinhados com os objetivos estratégicos das empresas não sobreviverão no mercado muito tempo. São necessárias competências como Inteligência Emocional, foco em resultados, gestão de equipes, visão estratégica e desenvolvimento de novos líderes, estarão indo de encontro o que privilegia o cenário global.

Observando os dados da pesquisa percebemos que, mesmo em momentos de cortes, as empresas continuam investindo no desenvolvimento de seus profissionais. Vemos equipes reduzidas, mas com muita ênfase em seu progresso e na qualidade de seu trabalho.

Outro fato importante é que as empresas nacionais investem menos que as multinacionais e estão privilegiando terceirar a área de treinamento diminuindo assim seus gastos internos.

O e-learning também apresenta um crescimento considerável em algumas empresas, especialmente com grande número de colaboradores.

Outra tendência notada é a utilização do coaching, como um dos três principais assuntos que farão parte dos projetos de T&D nos próximos anos. Lembrando que os profissionais de coaching devem ser selecionados através de sua experiência, já que atualmente encontram-se formações muitas vezes duvidosas, além de inúmeros profissionais desqualificados e com pouca bagagem.

É importante relatar que empresas que desejam ser competitivas devem continuar investindo em seus times. É imperiosa a colaboração com a área de Recursos Humanos de forma mais estratégica e utilizando as metodologias de treinamento e desenvolvimento de forma assertiva.

Ou seja: de nada adianta lotar uma sala de colaboradores e disparar conteúdos que não retratam a realidade daquela empresa. Buscar especialistas e profissionais habilitados é a melhor opção.

*Fredy Figner é coach e consultor de treinamentos

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