‘Brani’ acusa Palocci de forçá-lo a confirmar ‘ficções’ de sua delação

‘Brani’ acusa Palocci de forçá-lo a confirmar ‘ficções’ de sua delação

Sociólogo Branislav Kontic, ex-assessor do ex-ministro dos Governos Lula e Dilma, alvo de buscas da nova fase da Operação Lava Jato, disse nesta sexta, 23, que 'lamenta mudança de postura e de caráter' do petista que fechou acordo de colaboração premiada

Pepita Ortega, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

23 de agosto de 2019 | 16h32

O sociólogo Branislav Kontic, o ‘Brani‘, alvo de buscas da Operação ‘Pentiti’, a nova fase da Lava Jato, deflagrada nesta sexta, 23, disse que o ex-ministro Antônio Palocci (Fazenda/Casa Civil/Governos Lula e Dilma) o pressionou para confirmar ‘ficções de sua delação’.

‘Brani’ declarou que lamenta a ‘mudança de postura e de caráter de Palocci para com ex-auxiliares, amigos, clientes e, sobretudo, a seus aliados políticos, com quem construiu uma trajetória, hoje destroçada por ele próprio’.

Palocci foi preso em setembro de 2016 na Operação Omertà, e condenado pelo então juiz da Lava Jato Sérgio Moro a 12 anos e dois meses de reclusão. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O sociólogo foi assessor de Palocci. Os dois foram presos em setembro de 2016 na Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato. Palocci foi condenado pelo então juiz da Lava Jato Sérgio Moro a 12 anos e dois meses de reclusão. ‘Brani’ foi absolvido.

Nesta sexta, 23, a juíza Gabriela Hardt, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, ordenou buscas no âmbito da Operação ‘Pentiti’, fase 64 da Lava Jato. Entre os alvos da missão estão a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. ‘Brani’ também recebeu a visita dos agentes federais.

A ‘Pentiti’ tem base nas delações de Palocci, principalmente, e também do empreiteiro Marcelo Odebrecht e do ex-presidente da Sete Brasil, João Carlos de Medeiros Ferraz.

As revelações de Palocci indicam que o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht mandava fazer entregas de quantias milionárias em dinheiro vivo no prédio onde Batochio manteve seu escritório por muitos anos, na Avenida Paulista, 1471.

‘Só tenho a lamentar sua mudança de postura e de caráter para com ex-auxiliares, amigos, clientes e, sobretudo, a seus aliados políticos’, diz Branislav Kontic sobre Palocci. Foto: MPF/Reprodução

‘Brani’ divulgou nota pública, na qual ataca Palocci e sai em defesa de seu próprio advogado, o criminalista José Roberto Batochio – contra quem a Polícia Federal pediu buscas, medida rejeitada pela juíza Gabriela Hardt.

Batochio também foi defensor de Palocci, mas renunciou quando o ex-ministro partiu para a delação.

Na casa de ‘Brani’, a PF apreendeu um laptop, um celular e o contrato de prestação de serviços que ele firmou com o escritório de Batochio.

‘Brani’ relata na carta que divulgou na tarde desta sexta, 23, a origem de seu desentendimento com o antigo amigo Palocci.

Ele afirma. “Ao romper com Batochio, em maio de 2017, Palocci passou a me pressionar seguidas vezes, por meios indiretos, para que aceitasse corroborar as ficções relatadas nos anexos de sua colaboração. Por óbvio, sempre recusei fazê-lo.”

‘Brani’ repudiou as acusações de entrega de recursos ilícitos ao escritório de Batochio. “Todos os pagamentos feitos a Batochio por Antônio Palocci e por minha pessoa estão fundados em contratos e pagamentos feitos por via bancária, com as respectivas emissões de notas fiscais.”

LEIA ‘BRANI’ NO ATAQUE A PALOCCI

“A respeito do noticiário publicado pela mídia, no dia de hoje, envolvendo minha pessoa esclareço o que segue:
1) Minha residência foi alvo, nesta data, de mandado de busca e apreensão expedido pela juíza Gabriela Hardt pela segunda vez em quase três anos. Em setembro de 2016 o mesmo endereço foi alvo de uma operação exatamente pelas mesmas razões, determinadas pelo então juiz Sérgio Moro, sendo eu naquela ocasião preso preventivamente.
2) Fui processado por supostos fatos atinentes à Petrobrás, incluída a acusação de busca de recursos ilícitos na empresa Odebrecht. Ao longo de oitivas na carceragem da Polícia Federal de Curitiba e na 13.ª Vara neguei a procedência das acusações e a participação em atividades de defesa dos interesses desta empresa e demonstrei minha inocência. Fui absolvido em junho de 2017 em primeiro grau e, em novembro de 2018, por unanimidade no Tribunal Federal da 4.ª Região, com trânsito em julgado.
3) Mais uma vez na operação de hoje, 23/08, foram levados meu lap-top, meu celular e o contrato de prestação de serviços entre minha pessoa e o escritório Batochio Advogados Associados, meus defensores na ações penais da Operação Lava Lato.
4) Como é público e notório, esta banca se posiciona frontalmente contrária ao instituto da delação premiada, assim como já foi sobejamente divulgada a falta de elementos comprobatórios da delação de Antônio Palocci. Este, ao romper com Batochio Advogados, em maio de 2017, seus defensores por mais de uma década, passou a me pressionar seguidas vezes, por meios indiretos, para que aceitasse corroborar as ficções relatadas nos anexos de sua colaboração. Por óbvio sempre recursei fazê-lo.
5) Só tenho a lamentar sua mudança de postura e de caráter para com ex-auxiliares, amigos, clientes e, sobretudo, a seus aliados políticos, com quem construiu uma trajetória, hoje destroçada por ele próprio.
6) Por fim, repudio as acusações de entrega de recursos ilícitos ao escritório de José Roberto Batochio, reafirmando que todos os pagamentos feitos a ele por Antônio Palocci e por minha pessoa estão fundados em contratos e pagamentos feitos por via bancária, com as respectivas emissões de notas fiscais.”

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