Braço direito de ex-diretor da Dersa diz que ‘não sabe’ como R$ 1,9 mi caiu em sua conta

Braço direito de ex-diretor da Dersa diz que ‘não sabe’ como R$ 1,9 mi caiu em sua conta

Valdir dos Santos Paula, que ganha R$ 5 mil mensais, alegou à Polícia Federal, em depoimento de 21 de junho, quando foi preso temporariamente, que 'não se lembrava' ou 'não se recorda' de quantias milionárias e disse ter começado como motorista de Pedro da Silva, sucessor de Paulo Vieira de Souza na área de Engenharia da Desenvolvimento Rodoviário S/A

Julia Affonso e Luiz Vassallo

14 Agosto 2018 | 05h00

Reprodução

O braço direito do ex-diretor da Dersa Pedro da Silva afirmou não saber como R$ 1,9 milhão foi parar em sua conta em 2013, nem como girou R$ 2,1 milhões em 2014. Ele prestou depoimento à Polícia Federal em 21 de junho, quando foi preso temporariamente na Operação Pedra no Caminho, braço da Lava Jato em São Paulo que mira desvios em obras do Rodoanel Trecho Norte.

Valdir dos Santos Paula está solto, sob monitoramento de tornozeleira eletrônica. Ele passou a ser alvo da Pedra no Caminho quando a força-tarefa identificou 22 transações que chegam a R$ 1 milhão de Valdir para contas de Pedro e suas empresas.

O ex-diretor da Dersa teria girado R$ 50 milhões em cinco anos, segundo relatório da quebra de seu sigilo bancário. Ele é denunciado por supostas fraudes na estatal.

Valdir contou à PF ter conhecido Pedro da Silva em 2010, quando começou a trabalhar como seu motorista. Atualmente, tem salário de R$ 5 mil após uma promoção a gerente administrativo das fazendas do ex-diretor de Engenharia da Dersa.

Confrontado com documentos sobre suas próprias transações financeiras, Valdir disse que ‘não se lembrava’. Ele afirmou que ‘nem sabia’ explicar nada do que foi perguntado pelos investigadores.

Valdir disse que ‘não se recorda de transferência bancária da conta do declarante para a conta da SCJ Agropecuária – empresa de Pedro da Silva -, no dia 29/07/2013, no valor de treze mil reais’. A empresa faz referência à fazenda Sagrado Coração de Jesus, em Bofete, interior de São Paulo, que foi de Pedro da Silva.

Também ‘não se recorda de transferência bancária da conta do declarante para a conta da SCJ Agropecuária, no dia 03/06/2014, no valor de setenta e sete mil reais’;

Disse não lembrar também de transferência bancária de sua conta para a conta da SCJ Agropecuária, no dia 11 de setembro de 2014, no valor de R$ 200 mil

Afirmou não ter ideia ‘especificamente de transferências feitas de sua conta pessoal em favor das empresas SCJ e Stars Barou em favor de conta de Pedro da Silva’.

Alegou não saber ‘explicar como, no ano de 2013, teve R$ 1.979.816,40 de crédito em sua conta bancária’ e ‘tampouco sabe explicar como, no ano 2014, sua conta possa ter movimentado R$ 2.132.713,57’;

E ainda analisou não ser ‘possível movimentar tamanhas quantias, pois sua renda mensal, mesmo hoje, não é superior a cinco mil reais, motivo pelo qual não teria condições de movimentar essas quantias’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALAMIRO VELLUDO SALVADOR NETTO, QUE DEFENDE PEDRO DA SILVA

A prisão preventiva decretada em desfavor de Pedro da Silva é injusta, pois não se encontram preenchidos os requisitos necessários para sua aplicação. Não tenho dúvida que sua inocência ficará demonstrada ao final da instrução processual. Já aportaram aos autos provas sobre a licitude dos aditamentos realizados nos contratos do Trecho Norte do Rodoanel. Da mesma forma, ficará devidamente demonstrada a origem e regularidade de seu patrimônio no procedimento instaurado para esta finalidade, oriundos de atividades particulares e legais do acusado. Alamiro Velludo Salvador Netto, advogado.

Mais conteúdo sobre:

DERSA