‘Bolsonaro foi instrumento’ de punição da democracia aos ‘que enganam o povo’, diz decano da Lava Jato

‘Bolsonaro foi instrumento’ de punição da democracia aos ‘que enganam o povo’, diz decano da Lava Jato

Procurador Carlos Fernando Lima afirma que foi o voto anti-PT que elegeu o candidato do PSL presidente da República, não a imagem de 'mito' nem suas 'propostas'

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

28 de outubro de 2018 | 21h02

O procurador regional da República Carlos Fernando do Santos Lima, o decano da Operação Lava Jato em Curitiba, se posicionou sobre a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições 2018 à Presidência da República. “A democracia pune aqueles que enganam o povo, é Bolsonaro hoje foi um instrumento dessa punição.”

Em seu perfil no Facebook, o decano da Lava Jato – que deixou a força-tarefa há dois meses para se aposentar – escreveu que “agora é hora de mostrar que é possível algo diferente, dentro das regras constitucionais”. “Pois se não muitos perderão a confiança de que é possível um governo justo, honesto e para toda a população”, escreveu.

Um dos porta-vozes da Lava Jato, ao lado do coordenador do grupo, procurador Deltan Dallagnol, Carlos Lima chegou a ser alvo de ação movida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – preso e condenado em Curitiba – por suas declarações. O berço do escândalo Petrobrás deu votação expressiva a Bolsonaro.

“O difícil não é saber perder, o difícil é saber ganhar, diz uma música que gosto muito. Hoje Bolsonaro ganhou a eleição para presidente com uma margem que não deixa dúvidas quanto à decisão da maioria da população.”

O procurador lembrou do peso do voto “anti-petista” na eleição de Bolsonaro e citou os esquemas de corrupção, combatidos pela Lava Jato. “Agora é esperar que o capitão reformado e deputado federal não seja arrogante e compreenda que os votos que o tornaram presidente não foram porque a maioria dos eleitores o acha um mito, ou sequer porque tem certeza das reais propostas de sua candidatura, mas apenas porque reapresentou o voto anti-PT”, escreveu.

“O País não aceita mais que lhe vendam esperança e no governo lhe entreguem mais do mesmo esquema político corrupto de sempre.” 

O juiz federal Sérgio Moro também se manifestou sobre a eleição e saudou Bolsonaro.

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