Bolsonaro diz que serviço secreto chinês está infiltrado no governo brasileiro

Bolsonaro diz que serviço secreto chinês está infiltrado no governo brasileiro

Presidente diz em reunião ministerial que país asiático atuaria na Esplanada; Paulo Guedes afirma que chineses devem pagar por covid-19

Marcelo Godoy, Julia Lindner, Rafael Moraes Moura, Pepita Ortega e Rayssa Motta

22 de maio de 2020 | 21h44

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o serviço secreto chinês tem agentes infiltrados em ministérios brasileiros. A declaração foi feita pelo presidente na reunião ministerial do dia 22. “É uma realidade. Não adianta esconder mais, tapar o sol com a peneira, né? Tem, não é… em vá… em alguns ministérios têm gente deles plantando aqui dentro, né? Então não queremos brigar com os chineses, zero briga com a China. Precisamos deles para vender? Sim. Eles precisam também de nós.”

Foto: Jason Lee/Reuters

Bolsonaro disse ainda que no fim de semana anterior estava estudando como é que “o serviço chinês trabalha nos Estados Unidos”. “Qual a preocupação nossa aqui?” perguntou. O trecho seguinte da fala do presidente estava coberto por uma tarja preta no laudo da Polícia Federal divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas é claro o sentido da frase, de que Bolsonaro se refere ao país asiático. “Tá todo mundo vendo o que tá acontecendo.”

O presidente não deixa claro o que o leva a acreditar que o serviço secreto chinês infiltrou agentes no governo brasileiro bem como não diz quem seriam os espiões a serviço daquela nação. “Devemos nos aliar com quem tem umas afinidades conosco. Pra gente poder fazer valer a nossa vontade.”

Além de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é o primeiro a ter sua fala coberta por tarja no laudo divulgado, ao citar a China. A tarja é colocada no momento em que Guedes defende que o país asiático devia financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido pela pandemia do coronavírus. A China é o principal parceiro comercial do País.

“Plano Marshall, por exemplo, os Estados Unidos podem fazer um Plano Marshall para nos ajudar. A China, (parte cortada por decisão do STF), deveria financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido. Então a primeira inadequação, a gente tem que tomar muito cuidado é o seguinte, é o plano Pró-Brasil”, disse Guedes. O ministro falou sobre o tema ao criticar integrantes do governo que apelidaram, nos bastidores, a ideia de um programa de investimentos públicos de Plano Marshall.

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