Bolsonaro diz que ‘deu muito trabalho’ a Raquel, mas que momento é de trabalharem juntos

Bolsonaro diz que ‘deu muito trabalho’ a Raquel, mas que momento é de trabalharem juntos

Durante visita à Procuradoria-Geral da República, presidente eleito fez um 'mea culpa' e disse que o momento é de união para resolver os problemas que o País enfrenta

Teo Cury/BRASÍLIA

21 Novembro 2018 | 05h00

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante encontro com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, na sede da PGR. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A primeira visita do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL-RJ) à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, nesta terça-feira, foi tranquila e respeitosa, superando as expectativas de quem temia por um clima de tensão em uma reunião protocolar. O Broadcast Político/Estado apurou que, em uma espécie de mea culpa, Bolsonaro disse a Raquel Dodge que lhe deu muito trabalho no passado, mas que o momento é de trabalharem juntos para resolver os problemas que o País enfrenta. O presidente eleito ressaltou que está à disposição da chefe do Ministério Público Federal.

Em encontro com ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada, Bolsonaro afirmou que, “no calor dos acontecimentos, a gente dá umas caneladas”. A frase foi entendida como um pedido de desculpas pelas críticas feitas durante a campanha, quando o então presidenciável do PSL entrou em choque contra o TSE ao colocar em dúvida a lisura das urnas eletrônicas.

O encontro desta terça, previsto para durar cerca de 20 minutos e que levou pouco mais de uma hora, foi marcado por risadas e rodas de conversas entre os participantes. Havia o receio de que a visita pudesse ser desastrosa e gerar constrangimentos devido ao fato de Raquel Dodge ter denunciado Bolsonaro em abril deste ano por racismo contra quilombolas e também pelas críticas feitas pelo capitão reformado à procuradora-geral quando ainda era pré-candidato ao Planalto.

Segundo a denúncia, em uma palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril de 2017, Bolsonaro, em pouco mais de uma hora de discurso, “usou expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo diretamente vários grupos sociais”. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, no entanto, rejeitou a denúncia.

À época da denúncia, Bolsonaro rebateu a acusação e disse que tinha “imunidade total” para se expressar. “Ela (Dodge) acha muito e não encontra nada”, disse em uma entrevista. “Quanto a quilombolas, eu tenho imunidade total por quaisquer palavras, opiniões e votos. Gostaria que Raquel Dodge nos acompanhasse nesse quilombola em que eu fui em Eldorado Paulista para ver o desperdício de recursos, maquinários abandonados. Eles não fazem absolutamente nada, é uma realidade”, afirmou.

Ao chegar à Procuradoria-Geral da República, em Brasília, nesta terça, Bolsonaro prestou continência para Raquel Dodge. Ela o esperava no corredor do edifício. A reunião fechada ocorreu no gabinete da PGR. Raquel aproveitou a oportunidade para explicar ao presidente eleito as principais atribuições do procurador-geral da República, como sua atuação no Supremo Tribunal Federal, no Superior Tribunal de Justiça, no Tribunal Superior Eleitoral, nos conselhos Nacional e Superior do Ministério Público e no Conselho Nacional de Justiça. A procuradora-geral apresentou ainda o balanço de um ano de sua gestão à frente do MPF e números atualizados com o desempenho dos demais ramos do Ministério Público da União.

Participaram do encontro o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, o vice-procurador-geral Eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, o secretário-geral do MPU, Alexandre Camanho, a chefe da Secretaria da Função Penal Originária do Supremo, Raquel Branquinho e a chefe de gabinete de Raquel, Mara Elisa de Oliveira. Estavam presentes ainda os futuros ministros general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil).