Blairo pagou R$ 4 mi para conselheiro ficar no Tribunal de Contas, diz delator

Blairo pagou R$ 4 mi para conselheiro ficar no Tribunal de Contas, diz delator

Silval Barbosa (PMDB) relatou aos investigadores que ex-governador de Mato Grosso e atual ministro da Agricultura queria que Alencar Soares não saísse da Corte

Luiz Vassallo, Fábio Serapião e Breno Pires

25 Agosto 2017 | 18h48

Blairo Maggi. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Em delação premiada, o ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB) acusou o ministro da Agricultura Blairo Maggi de pagar R$ 4 milhões para que o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Alencar Soares ficasse mais tempo no cargo. Segundo o colaborador, Alencar Soares teria posteriormente negociado sua cadeira na Corte por um valor até três vezes mais alto, de R$ 12 milhões, para outro conselheiro, Sérgio Ricardo.

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As revelações do ex-governador foram classificadas de ‘monstruosa delação’ pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, que nesta sexta-feira, 25, autorizou abertura de inquérito contra um grupo de políticos de Mato Grosso, entre eles Blairo Maggi, a quem a Procuradoria atribui o papel de ‘liderança’ de organização criminosa que se instalou na administração pública estadual.

Entre os elementos de corroboração do acordo, estão vídeos cedidos à Procuradoria-Geral da República mostrando a entrega de dinheiro vivo em uma sala no Palácio do Governo de Mato Grosso. Deputados e o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), encheram os bolsos, mochilas e maletas de propina. Silval vai devolver R$ 70 milhões aos cofres públicos.

Segundo o delator, ‘a ex-governador Blairo Maggi, em viagem à África que tinha por objetivo a definição das sedes da Copa, na qual estava acompanhado do então Conselheiro do TCE Alencar Soares, pediu a este que ficasse no tribunal por mais um tempo e não se aposentasse, já que ele gostaria de indicar pessoa de sua confiança para a respectiva vaga’.

“O conselheiro Alencar Soares, no entanto, disse que já havia vendido a vaga para o atual Conselheiro Sergio Ricardo, tendo, inclusive, recebido de forma antecipada o valor de dois milhões e quinhentos mil reais como parte do pagamento”, recordou.

O ex-governador ainda relatou que ‘Blairo Maggi, em conversa com Alencar Soares, conseguiu convencê-lo a permanecer no Tribunal de Contas do Estado, tendo em contrapartida Alencar Soares pedido 4 milhões de reais’.

“Blairo Maggi concordou e determinou a Eder Moraes, então Secretário de Fazenda, que providenciasse o pagamento dos 4 milhões de reais para Alencar Soares, sabendo o colaborador que Eder Moraes pegou tal montante com Junior Mendonça e entregou para Alencar Soares, que por sua vez ficou com 1.500.00 (um milhão e meio), tendo devolvido 2.500.00 (dois milhões e meio) para Sergio Ricardo”, consta em sua colaboração.

De acordo com Silval, em 2012 ‘Sergio Ricardo teria adquirido de Alencar Soares a vaga, sendo que o valor foi de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões’.

O ex-governador afirmou que, após aprovação da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, coube a ele apenas sancionar a nomeação de Sérgio Ricardo à Corte de Contas.

COM A PALAVRA, BLAIRO

NOTA À IMPRENSA

‘Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja “mudanças de versões” em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.

Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.

Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.

Por fim, entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça.’
Blairo Maggi