Black List, da PF, mira em desvios de R$ 100 milhões em licitações de remédios no Grande Recife

Black List, da PF, mira em desvios de R$ 100 milhões em licitações de remédios no Grande Recife

Alvo é a Prefeitura da cidade de Camaragibe, sob gestão do tucano Jorge Alexandre; 130 agentes foram às ruas para cumprir 21 mandados de busca e apreensão

Vitor Tavares, Julia Affonso e Mateus Coutinho

05 de julho de 2016 | 14h13

Foto: Jose Lucena/Futura Press

Foto: Jose Lucena/Futura Press

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 5, uma operação que tem como alvo o desvio de dinheiro em licitações para compra de medicamentos no Grande Recife. Cerca de 130 agentes da polícia federal foram às ruas para cumprir 21 mandados de busca e apreensão, em residências e escritórios no Recife e na prefeitura de Camaragibe, cidade da região metropolitana onde teria ocorrido desvios na ordem de R$ 100 milhões .

A casa do prefeito da cidade, Jorge Alexandre Soares da Silva (PSDB), e do secretário de finanças, Emanuel Rei Martins dos Santos, também foram alvo da denominada Operação Black List. Os agentes buscaram documentos ainda em casas de donos de empresas relacionadas ao comércio de remédios no Grande Recife e na cidade de Carpina, na zona da mata do Estado. Uma das empresas é a Drogafonte, que distribui medicamentos e material hospitalar.

A ação da PF é acompanhada por 40 agentes da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) e pela Controladoria Geral da União (CGU). As investigações tiveram início no ano passado.

O processo corre em segredo de Justiça no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), no Recife. Por meio de nota, a Polícia Federal informou que está desautorizada de repassar informações sobre a operação.

 

COM A PALAVRA, O PREFEITO DE CAMARAGIBE, JORGE ALEXANDRE (PSDB)

“Foi divulgado um desvio de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais) na aquisição de medicamentos mediante fraudes em licitação.  É lamentável que se divulguem dados totalmente inverídicos. Desde 2013, ano em que assumi a Prefeitura, o total gasto com medicamentos e correlatos atingiu aproximadamente R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), para abastecer 43 postos de saúde, 1 hospital, 2 centros médicos, uma maternidade, 1 centro de especialidades, 14 residências terapêuticas e uma unidade de acolhimento, 3 centros de atendimento psicossocial, 1 centro de especialidades odontológicas. O total gasto, nesses 3 anos e meio, representa um dispêndio de R$ 238.000,00 (duzentos e trinta e oito mil reais) por mês, muito distante do fictício valor divulgado.”

Documento

COM A PALAVRA, A DROGAFONTE

A Drogafonte esclarece que a Polícia Federal e a Vigilância Sanitária de Pernambuco estiveram na sede da empresa hoje, em busca de documentação referente a licitações junto à Prefeitura de Camaragibe. Toda documentação foi entregue à PF. A Vigilância Sanitária também fez vistoria e não encontrou nenhuma irregularidade.

A Drogafonte tem uma postura de mercado diferenciada e participa frequentemente em todas as esferas – municipal, estadual e federal. Por isso mesmo, é extremamente favorável a ações como esta da PF. A empresa entende que essas operações contribuem para a transparência no Poder Público e para boas práticas nos processos de licitações.

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