BJ diz que Rio era ‘Casa de Doidos’

Executivo da Odebrecht, delator, disse à força-tarefa da Lava Jato que rubrica foi lançada na planilha do setor de propinas da empreiteira porque era grande a quantidade de demandas e políticos a serem atendidos ao mesmo tempo

Valmar Hupsel Filho, Fábio Serapião, Breno Pires e Rafael Moraes Moura

14 de abril de 2017 | 18h23

Benedicto Júnior. Foto: Reprodução

Benedicto Júnior. Foto: Reprodução

Em função da grande quantidade de demandas e políticos a serem atendidos ao mesmo tempo pelo Setor de Operações Estruturadas, o famoso ‘departamento de propinas’ da Odebrecht, a construtora deu à conta destinada a ‘pagamentos extemporâneos’ ao Estado do Rio a rubrica ‘Casa de Doidos’. A revelação é do executivo da Odebrecht Benedicto da Silva Júnior, em delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato.
“Tinha esse nome porque a gente dizia que o Rio de Janeiro era uma Casa de Doidos. Era uma conta que se usava para pagar várias coisas ao mesmo tempo”, disse. “Era uma rubrica para pagar coisas extemporâneas”, explicou.
Quando falou da ‘Casa de Doidos’, BJ explicava os pagamentos que, segundo ele, foram realizados ao ex-secretários de Transportes do Rio, Júlio Lopes. Segundo o executivo, Lopes recebeu em 2013 mais de R$ 6,5 milhões por meio de três codinomes.
Foram R$ 1.105.900 na cota ‘Pavão’, R$ 2.259.000 para ‘Velho’ e outros R$ 3.170.420 na rubrica ‘Casa de Doidos’, segundo BJ.
Os pagamentos foram feitos naquele ano, segundo o delator, para garantir que Júlio Lopes ‘não criasse problema’ nas obras de construção da linha 4 do Metrô do Estado.
“Aqui o que posso assegurar ao sr. é que o que ele acabou fazendo foi não gerar nenhum problema a gestão do dia a dia do Metrô linha 4, que era a coisa mais imprtante que estava acontecendo no Rio de Janeiro”, disse ao procurador da República que tomou seu depoimento.
Ele também relatou pagamentos em 2008 e em 2012 a serem repassados ao PP para que a legenda se mantivesse na base de apoio do PMDB. Júlio Lopes é descrito por Benedicto Júnior como a ‘extensão dos braços’ do hoje vice-governador do Rio, Francisco Dornelles.
Na planilha que apresentou como ‘prova de corroboração’ de sua delação, BJ relata o pagamento de R$ 246,6 milhões, via caixa 2, a políticos de diversos partidos e Estados entre os anos de 2008 e 2014.

Entre eles estão quatro ex-governadores do Rio e o atual mandatário do Executivo fluminense, Luiz Fernando Pezão, e dois ex-prefeitos da capital, César Maia e Eduardo Paes, além do presidente da Assembleia Legislativa do Estado Jorge Picciani. Todos os citados por Benedicto negam irregularidades.

COM A PALAVRA O DEPUTADO JÚLIO LOPES (PP-RJ)

“Surpreso e indignado com o que me foi atribuído por essa organização criminosa de nome Odebrecht e seus bandidos transformados em delatores, Benedito Junior e Marcos Vidigal, reafirmo que NÃO TIVE qualquer responsabilidade na definição de custos , preços e pagamentos da linha 4.

Todas essas atribuições como é de conhecimento público e várias vezes publicado pela imprensa foi da CASA CIVIL do governo e de seus agentes. APENAS este ano o governador Pezão atribuiu a responsabilidade da Linha 4 à Setrans.

Só o interesse de encobrir os VERDADEIROS RESPONSÁVEIS e a pratica de roubos contra o estado e a própria companhia podem ter resultado em tamanho conluio e combinação de mentiras e valores.

Essa organização criminosa que durante anos sequestrou o Brasil, sua criatividade e competitividade agora sequestra honras e assassina reputações.

Restabelecerei a verdade processando civil e criminalmente essa quadrilha dando conhecimento público aos fatos AINDA OCULTOS que me tornaram alvo desse ataque”.

 

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