Beto Richa tentou convencer corretor a não revelar R$ 1,4 mi ‘por fora’, diz Lava Jato

Beto Richa tentou convencer corretor a não revelar R$ 1,4 mi ‘por fora’, diz Lava Jato

Tentativa de obstrução da investigação é um dos motivos da ordem de prisão do ex-governador do Paraná, na Operação Integração, fase 58 da Lava Jato, deflagrada nesta sexta, 25

Ricardo Brandt, Igor Moraes e Fausto Macedo

25 de janeiro de 2019 | 10h32

Beto Richa. Foto: Joka Madruga/ Futura Press

A força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato afirma que a prisão do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) ‘se mostrou imprescindível em razão da recente tentativa comprovada de obstrução das investigações pelos envolvidos’. Segundo os procuradores, o tucano tentou influenciar o depoimento de um corretor de imóveis para não revelar pagamentos em dinheiro vivo na compra de conjuntos comerciais em Curitiba.

Beto Richa foi preso pela Polícia Federal na manhã desta sexta, 25, em Curitiba, por ordem do juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23.ª Vara Criminal Federal, que atendeu pedido do Ministério Público Federal no âmbito da Operação Integração, fase 58 da Lava Jato. A PF prendeu também o contador do tucano, Dirceu Pupo Ferreira.

A compra das salas comerciais teria sido realizada com parte de uma propina de R$ 2,7 milhões que o ex-governador pegou de concessionárias de rodovias federais no Paraná, segundo a Lava Jato.

Os investigadores sustentam que Beto Richa adquiriu conjuntos comerciais no Edifício Neo Business, na capital paranaense, com valor declarado de R$ 1,8 milhão na escritura pública. Segundo o corretor que intermediou o negócio, houve pagamento de R$ 1,4 milhão adicional ‘por fora’, que foi ocultado.

A Lava Jato descobriu que, em agosto de 2018, ‘a fim de impedir que o esquema fosse descoberto’, o contador Pupo, ‘agindo a mando de Beto Richa, procurou um dos corretores de imóveis que intermediou a negociação das salas comerciais e solicitou que, caso fosse intimado a depor pela investigação, ocultasse a existência de pagamentos em espécie por fora’.

“Não satisfeito, de acordo com o relato do vendedor das salas comerciais, Pupo Ferreira, sempre agindo como preposto do ex-governador, ainda tentou contato para influenciar seu depoimento, a fim de solicitar que o pagamento em espécie fosse ocultado”, afirmam os procuradores.

Para o juiz federal Paulo Sérgio Ribeiro, “o fato concreto apresentado pelo Ministério Público Federal é extremamente grave, evidenciando a tentativa de embaraçar a investigação, o que justifica a decretação da preventiva”.

Segundo os procuradores, ‘o ato foi praticado para impedir a descoberta do esquema de lavagem de dinheiro, interferindo na produção da prova’.

“A influência no depoimento de possíveis testemunhas é fundamento clássico para a prisão preventiva para garantia da instrução criminal”, afirma o procurador da República Diogo Castor.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA ANTONIA LELIA NEVES SANCHES, QUE DEFENDE BETO RICHA

A defesa de Carlos Alberto Richa esclarece que:

  • Os fatos que conduziram à prisão do ex-Governador são antigos. Sobre eles, todos os esclarecimentos foram por ele devidamente esclarecidos, não restando qualquer dúvida quanto à regularidade de todas as condutas praticadas, no exercício de suas funções.
  • Mais do que isso. Os fatos ora invocados já foram anteriormente utilizados, na decretação das medidas cautelares expedidas contra o ex-Governador. Cumpre registrar que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar referidas medidas, reconheceu a flagrante ilegalidade na ordem prisão decretada.
  • Na realidade, a prisão requerida pelo Ministério Público Federal afronta o quanto decidido pelo Supremo Tribunal Federal, com o evidente objetivo de desrespeitar os julgamentos proferidos pela Suprema Corte, sobre o tema.
  • No mais, o pedido se lastreia em ilações do MPF, exclusivamente suportadas em falsas e inverídicas informações prestadas em sede de colaboração premiada, por criminosos confessos.
  • Em síntese, a prisão se baseia em fatos absolutamente requentados, carentes de qualquer comprovação e sobre os quais o Supremo Tribunal Federal já decidiu, no sentido de que os mesmos não justificam a decretação de prisão.
  • A defesa confia que o Poder Judiciário reverterá a ordem de prisão, que não atende a qualquer dos pressupostos exigidos em lei.

COM A PALAVRA, EDUARDO SANZ, QUE DEFENDE FERNANDA E ANDRÉ RICHA

“A operação federal desencadeada hoje baseia-se em fatos antigos e já esclarecidos na investigação estadual do GAECO. Há evidente conflito entre as duas investigações que versam sobre os mesmos fatos. A empresa OCAPORÃ não é, nem nunca foi, administrada formal ou informalmente por Carlos Alberto Richa. Não há qualquer fato que ligue a empresa OCAPORÃ ou seus sócios a qualquer fato ilícito sob investigação. Fernanda e André Richa estão, como sempre estiveram, à disposição da justiça, do Ministério Público e da polícia. É notório, inclusive, que ambos já prestaram depoimentos e responderam a todos os questionamentos que lhes foram feitos”.

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