Bendine tinha ‘conta-corrente de propina’ com operadores, diz Lava Jato

Bendine tinha ‘conta-corrente de propina’ com operadores, diz Lava Jato

Parte do dinheiro, segundo o Ministério Público Federal, foi usado para bancar hotéis para ex-presidente do BB e da Petrobrás e família

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

04 Agosto 2017 | 05h00

Aldemir Bendine. Foto: Filipe Araujo/Estadão

A força-tarefa da Operação Lava Jato afirma que ‘há fortes indicativos’ de que o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine tinha uma ‘conta-corrente de propina’ com os operadores André Gustavo e Antônio Carlos Vieira da Silva, que são irmãos. Uma parte do dinheiro, segundo o Ministério Público Federal, foi usado também para bancar hotéis para Bendine e a família.

Bendine foi preso quinta-feira, 27, na Operação Cobra, 42.ª fase da Lava Jato. Ele é suspeito de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht.

A Lava Jato encontrou no celular de Antônio Carlos registro do pagamento de despesas de hospedagem, em 11 de janeiro de 2016, em favor de Amanda Bendine, filha de Bendine.

Os investigadores atribuem a André e a Antônio Carlos, que são publicitários, o papel de ‘profissionais da lavagem de dinheiro’.

Por Bendine, motorista diz ter guardado R$ 86 mil em sua casa

Motorista relatou pressão de Gilberto Carvalho para não denunciar Bendine

Para o juiz federal Sérgio Moro, ‘o fato é mais um elemento de ligação entre Aldemir Bendine com os dois irmãos e, eventualmente, pode representar o dispêndio em favor dele de parte da propina por eles recebida do Grupo Odebrecht’.

“A investigação se aprofundou ainda nos elementos indiciários de que Antônio Carlos arcaria com hospedagem em hotéis para Aldemir Bendine e familiares, a partir de anotação em seu celular, datada de 11 de janeiro de 2016 ‘Reserva Amanda Bendine 2 bangalos 1 apto duplo Fecha a nota e nós resolvemos’”, aponta a Lava Jato.

Motorista disse ter levado Bendine com sacola cheia de notas de R$ 100

‘Vergonhoso’, diz Moro sobre Bendine pressionar motorista

“A aludida anotação de Antônio Carlos (“Reserva Amanda Bendine 2 bangalos 1 apto duplo Fecha a nota e nós resolvemo”), constitui indicativo de que, de algum modo, outras despesas de hotéis com bangalôs também foram suportadas pelos operadores financeiros. Há, portanto, fortes indicativos que Aldemir Bendine mantinha com André Gustavo e Antônio Carlos uma conta-corrente de propina, cujos valores iam sendo utilizados à medida da necessidade do então Presidente da Petrobrás e familiares.”

A Procuradoria da República informou a Moro que ‘em diligência efetuada junto a Circus Turismo, empresa não investigada e que voluntariamente colaborou com o fornecimento das provas, foi certificado que, de fato, Antônio Carlos utilizou recursos de origem criminosa para arcar com despesas de hotéis para a família Bendine em Nova Iorque, entre os dias 22 de dezembro de 2015 e 4 de janeiro de 2016’.

“O pagamento teria ocorrido com pagamento à vista, em espécie, por parte de André Gustavo e para ocultar a origem e a natureza criminosa dos valores, não foram emitidas notas fiscais do serviço objeto da contratação em nome de Aldemir Bendine e familiares relacionados”, destaca a Procuradoria.

“Na quebra telemática de Amanda Bendine, postulada em razão de tais fatos, foi identificada a reserva do referido hotel em Nova Iorque.”

Mais conteúdo sobre:

operação Lava JatoAldemir Bendine