Bendine tentou favorecer Odebrecht na Petrobrás, mostra e-mail

Bendine tentou favorecer Odebrecht na Petrobrás, mostra e-mail

Quebra de sigilo mostrou que ex-presidente da estatal denunciado usou e-mail funcional para tentar destravar negócio para estaleiro do grupo, após acerto de R$ 17 milhões de propinas

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo e Luiz Vassallo

22 Agosto 2017 | 11h50

Aldemir Bendine. Foto: Nacho Doce/Reuters

A força-tarefa da Operação Lava Jato encontrou e-mails que indicam que o ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine – também ex-Banco do Brasil – tentou favorecer o Grupo Odebrecht dentro da estatal petrolífera, após acerto de propina de R$ 17 milhões. O material faz parte da denúncia criminal contra ele, apresentada nesta terça-feira, 22, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e embaraço às investigações.

Documento

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa afirmou que Bendine tentou internamente na Petrobrás liberar negócios para o Estaleiro Enseada Paraguaçu, do Grupo Odeberecht.

“Em contrapartida às negociações e promessa de pagamento da vantagem indevida, que ao final foi paga por Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, o denunciado Aldemir Bendine, em atendimento ao “quid pro quo”, deu início a movimentações internas na Petrobrás com intuito de favorecer o grupo empresarial Odebrecht”, sustenta a denúncia.

“Assim, buscou junto ao departamento jurídico da Petrobrás nformações específicas visando (1) ao desbloqueio da cautelar que impedia novas contratações da Odebrecht Óleo e Gás, e (2) a contratação direta do Estaleiro Paraguaçu ou a constituição de sociedade de propósito específico para viabilizar o contrato e atender aos interesses de Marcelo Odebrecht. A resposta do departamento jurídico da Petrobrás foi encaminhada para Aldemir Bendine já em 21 de maio de 2015, após a reunião que ocorreu na residência de André Gustavo, em 18 de maio daquele ano”, informa a denúncia.

Segundo o Ministério Público Federal, após resposta do jurídico da Petrobrás “com o apontamento de riscos para medidas que favorecessem a Odebrecht”, Bendine “solicitou uma avaliação sobre a possibilidade de desbloqueio cautelar para contratação de todas as empresas implicadas nas investigações”.

“Em retorno ao pedido, o jurídico da companhia, em 07 de julho de 2015, encaminhou a Aldemir Bendine apresentação de avaliação de integridade visando ao desbloqueio das empresas investigadas na Operação Lava Jato”, narra a denúncia.

O procurador da Lava Jato afirmou que com o avançar da Lava Jato e “os elevados riscos pessoais a que estava exposto acaso atendesse os interesses” de Marcelo Odebrecht, Bendine “recuou em seu propósito de favorecer a empreiteira”.

Bendine foi preso em julho na 42ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Cobra – codinome usado pela Odebrecht em seu departamento da propina – e foi denunciado criminalmente.

A denúncia afirma que no dia 23 de janeiro de 2015 e 30 de maio de 2016, Bendine e seus operadores André Gustavo e Antonio Carlos solicitaram R$ 17 milhões em propinas a Marcelo Odebrecht e o executivo Fernando Reis “em virtude de demandas que o grupo empresarial” tinha na estatal.

“Em virtude da solicitação, Aldemir Bendine, em conjunto com André Gustavo e Antônio Carlos, recebeu a vantagem indevida no importe de R$ 3 milhões de reais, paga por Marcelo Odebrecht e Fernando Reis.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO PIERPAOLO CRUZ BOTTINI, QUE DEFENDE ALDEMIR BENDINE

“A defesa reitera que a atuação de Ademir Bendine no Banco do Brasil e na Petrobrás pautou se pela legalidade, e não houve benefício a Odebrecht ou a qualquer outra empresa no período em que presidiu as entidades.

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