Bendine fala

Bendine fala

Leia a íntegra do depoimento na Polícia Federal em que o ex-presidente da Petrobrás, preso na Operação Cobra, desdobramento da Lava Jato, negou ter cobrado propina de R$ 3 milhões da Odebrecht

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Luiz Vassallo

01 Agosto 2017 | 05h00

ALDEMIR BENDINE FOTO: FILIPE ARAUJO/ESTADÃO

O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine, preso na Operação Cobra – desdobramento da Lava Jato – por suspeita de recebimento de R$ 3 milhões em propinas da empreiteira Odebrecht, afirmou à Polícia Federal que manteve um ‘encontro breve’ com o empresário Marcelo Odebrecht. “Marcelo praticamente se resumiu reclamar da postura do governo em relação Operação Lava Jato”, afirmou Bendine nesta segunda-feira, 31.

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Bendine negou taxativamente a propina milionária. Os investigadores sustentam que ele manteve encontros reservados com o empreiteiro, um deles em uma casa do Lago Sul, em Brasília, o outro no prédio-sede da Presidência da República em São Paulo.

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Bendine diz que nesses encontros nunca tratou de propinas. “Percebeu que Marcelo queria que o depoente levasse um recado ao governo e o depoente deixou cíaro que não fazia parte do executivo do governo.”

“Perguntado se nessa reunião foi tratado, ainda que de forma sutil, sobre pagamento de proprina, disse que não; Que, perguntado sobre as alegações que foram pagas propinas para o depoente por intermédio do setor de operações estruturadas da Odebrecht, em razão de seu cargo de presidente da Petrobrás, disse que não.”

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A PF insistiu em saber sobre o relacionamento de Bendine com o publicitário André Gustavo Vieira Junior, também preso na Operação Cobra. Os investigadores afirmam que o ex-BB e Petrobrás destruía mensagens do celular a cada quatro segundos

“Que, perguntado sobre as formas pelas quais se comunicava com André Gustavo disse que fazia por telefones ou mensagens; Que perguntado se destruía as mensagens disse que nunca destruiu, usava para conversar com André Gustavo aplicativo Wickr; Que também utilizava outros aplicativos para conversar com outras pessoas, inclusive Wickr; Que o depoente usava Wickr com André Gustavo porque era esse aplicativo utilizado por aquele, que jamais escolheu essa forma de comunicação.”

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Bendine disse que ‘não sabia’ que havia destruição da mensagem.

O ex-presidente da Petrobrás disse que é ‘um funcionário de carreira do BB, que entrou como office boy, chegou presidente através de uma carreira técnica de 37 anos, nunca teve filiação partidária ou qualquer ideologia política’.

Um longo trecho de seu relato versou sobre a Odebrecht. “Os negócios com a Odebrecht geraram uma posição rígida da empresa em relação ao grupo, primeiro, não levantou bloqueio cautelar da empresa, isso permanece até hoje, segundo, teve uma negociação rígida no contrato de nafta com a Braskem que resultou em negócio extremamente positivo para a Petrobrás, diferente do acordo anterior que gerava prejuízo para a Petrobrás.”

Bendine afirmou ter cancelado ‘por motivos técnicos justificáveis’ afretamento de uma sonda perfuradora pertencente um contrato de 6 sondas de Odebrecht ‘que causou ao grupo um prejuízo estimado de 5 bilhões de reais dado que esse conjunto de sondas fazia parte de um project finance junto ao HSBC Londres’.

Sobre a propina de R$ 3 milhões. “Jamais solicitou ou recebeu qualquer pagamento indevido objeto dessa denúncia; Que não recolheu IR sobre valor da suposta proprina, pois não recebeu; Que é um homem honrado, que todo seu patrimônio é conhecido e conquistado pelo trabalho; Que não possuI conta no exterior ou qualquer bem oculto.”

“Que apesar de confiar na justiça se sente injustiçado, pois até foi chamado de corrupto, de um criminoso contumás.”

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