BC acha R$ 36 mil nas contas de Nuzman

BC acha R$ 36 mil nas contas de Nuzman

Dono de 16 barras de ouro ocultas em um cofre na Suíça, presidente do COB tem saldo de R$ 917,90 em uma conta no Brasil; juiz Marcelo Bretas, que mandou prendê-lo, havia ordenado bloqueio, pela segunda vez, de R$ 1 bi

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

11 de outubro de 2017 | 14h14

Carlos Arthur Nuzman. Foto: Reuters

O Banco Central achou R$ 36.447,14 em três contas do presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzmanpreso preventivamente pela Operação Unfair Play, desdobramento da Lava Jato que investiga a compra de votos para eleger o Rio de Janeiro como cidade olímpica. O valor foi bloqueado por determinação do juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal, na segunda fase da operação. O magistrado havia ordenado, pela segunda vez, o confisco de um total de R$ 1 bilhão.

Enquanto atletas buscam medalha, dirigentes guardam ouro na Suíça, diz procuradora

Nuzman encomendou dossiê sobre opositor a ex-secretário da Saúde de Cabral

Documento

Documento

A nova comunicação do BC é de 6 de outubro, um dia após a prisão do presidente do COB. Em uma conta de Nuzman, no Banco Santander, o BC achou R$ 917,90. No Bradesco, havia R$ 17.390,70. No Itaú, R$ 18.138,54.

Foram confiscados valores de duas empresas ligadas a Nuzman. Na NZ Palestras, Conferências e Estudos Eireli, o Banco Central encontrou R$ 156,90. Na Adican Administração de Imóveis, havia R$ 73.723,15.

Na primeira fase da Unfair Play, o juiz Bretas também havia determinado o confisco de R$ 1 bilhão. Na ocasião, o BC encontrou R$ 148.296,06 em cinco contas do cartola.

A comunicação foi feita em 6 de setembro. Havia R$ 73.348,52 no Itaú, R$ 51.921,81 no Bradesco, R$ 15.816,49 no Citibank, R$ 5.762,17 na Caixa Econômica Federal e R$ 1.447,07 no Banco Santander.

Nuzman mantinha oculto na Suíça 16 barras de ouro, avaliadas em R$ 2 milhões, em um cofre alugado. Na segunda-feira, 9, a polícia de Genebra abriu o cofre e apreendeu “vários quilos de ouro”.

A Procuradoria da República, no Rio, suspeita que a fortuna de Nuzman no cofre suíço pode ir além do ouro. A possibilidade de Nuzman manter um tesouro mais alentado ainda no exterior foi levantada pela força-tarefa da Procuradoria da República no pedido a Bretas para converter em regime preventivo – sem prazo para terninar – a prisão temporária imposta ao presidente do COB.

Para ampliar a investigação e reforçar o rol de provas contra Nuzman, a Procuradoria pediu cooperação internacional com a Suíça para ‘identificação do patrimônio possivelmente ocultado em um cofre em Genebra que pode não se limitar às 16 barras de ouro apresentadas em retificação da declaração do imposto de renda’.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, no Rio, nos últimos 10 dos 22 anos de presidência do COB, Nuzman aumentou seu patrimônio em 457%. Para os investigadores, não há ‘indicação clara de seus rendimentos, além de manter parte de seu patrimônio oculto na Suíça’.

Nuzman e seu braço direito Leonardo Gryner estão presos desde 5 de outubro, por ordem de Bretas. Na segunda-feira, o juiz converteu a custódia temporária de Nuzman em preventiva e prorrogou a prisão de Gryner.

O Banco Central achou R$ 153,28 em duas contas do braço direito de Nuzman. No Citibank, havia F$ 99,88. No Bradesco, R$ 53,40.

Na empresa Eventividade/TQQ Marketing e Produções, controlada por Gryner, foram encontrados R$ 287.778,28. Na Tem Quem Queira, R$ 2.139,37.

A reportagem tentou contato com o advogado de Nuzman. O espaço está aberto para manifestação.

Tudo o que sabemos sobre:

Carlos Arthur Nuzmanoperação Lava Jato

Tendências: