Bastidores: STF reagiu com indignação e viu desapreço pela democracia em postagem de Carlos Bolsonaro

Bastidores: STF reagiu com indignação e viu desapreço pela democracia em postagem de Carlos Bolsonaro

“Um absurdo”, resumiu um ministro que pediu para não ser identificado, sobre declaração do vereador Carlos Bolsonaro (PSC); parlamentar disse: “por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

10 de setembro de 2019 | 21h04

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

BRASÍLIA – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reagiram com indignação à postagem de  Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro e vereador do Rio de Janeiro, de que “por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”.

Segundo o Estadão/Broadcast apurou, integrantes da Corte avaliaram que o discurso de Carlos Bolsonaro demonstra um desapreço pela democracia, atrapalha o funcionamento das instituições no País e só serve para criar ainda mais instabilidade para um governo que já tem de lidar com uma série de dificuldades na relação com outros poderes. “Um absurdo”, resumiu um ministro que pediu para não ser identificado.

Um outro ministro do STF ficou inicialmente em dúvida se o comentário no microblog Twitter teria sido mesmo feito por Carlos Bolsonaro, tamanha a ojeriza provocada com a afirmação atribuída ao vereador. Depois que confirmou a veracidade sobre o autor da mensagem, o espanto aumentou.

Dentro do STF, ministros discutiram reservadamente entre si ao longo desta terça-feira o comentário de Carlos Bolsonaro, mas, ao contrário do Senado e da Câmara, evitaram vir a público para rebater a declaração do filho do presidente da República. A avaliação foi a de que responder ao tuíte de Carlos Bolsonaro daria ainda mais visibilidade ao episódio e elevaria a discussão a um outro patamar, dando vitrine ao vereador do Rio de Janeiro.

Para uma Corte que assume um papel moderador de conflitos, chegou-se à conclusão que o melhor é não aumentar a temperatura das discussões cada vez mais acaloradas que tomam conta do País.

Tendências: