Barroso vê ‘ataque criminoso’ às comunicações de Moro e Deltan

Barroso vê ‘ataque criminoso’ às comunicações de Moro e Deltan

Ministro do Supremo diz que 'não tem nenhuma dúvida' de que houve ação ilícita de hackers que invadiram Telegram do ex-juiz da Lava Jato e do procurador da força-tarefa do Ministério Público Federal

Fausto Macedo e Luiz Vassallo

28 de junho de 2019 | 17h38

O ministro Luís Roberto Barroso. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, disse nesta sexta, 28, que ‘não tem nenhuma dúvida’ de que houve um ‘ataque criminoso’ às comunicações do ex-juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, e ao coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná.

Barroso falou sobre o caso nesta sexta, 28, após palestra magna ‘Um olhar sobre o mundo e sobre o Brasil’ na ABF Franchising Week – maior fórum do franchising na América Latina -, que promoveu o Simpósito Jurídico e de Gestão Empresarial, em São Paulo.

“Certamente ocorreu ataque criminoso”, disse o ministro. “Certamente, não tem nenhuma dúvida.”

Desde 9 de junho estão sendo divulgados pelo site The Intercept diálogos atribuídos a Moro, a Deltan e seus colegas da força-tarefa da Lava Jato. O site disse que recebeu o material de ‘fonte anônima’.

As mensagens indicam suposto ‘ajuste’ entre magistrado e Procuradoria no âmbito da execução de fases da Lava Jato.

O teor das supostas conversas entre Moro e Deltan abriu caminho para a defesa do ex-presidente Lula ir ao Supremo com pedido de suspeição do ex-juiz. Nesta semana, a Corte, por 3 votos a 2, manteve o petista na prisão da Lava Jato – Lula cumpre pena na ação do triplex do Guarujá desde abril de 2018.

Nesta quinta, 27, o corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel Moreira, decretou o arquivamento de representação disciplinar contra Deltan.

O corregedor destruiu a tese de ‘conluio’ entre magistrado e procurador e anotou que não há nada de ilícito nas conversas. Ressaltou que os diálogos são ‘prova estéril’.

Nesta sexta, 28, indagado se o conteúdo dos diálogos atribuídos a Moro e a Deltan não deve ser levado em conta, o ministro Barroso disse. “Estou no momento prévio do ataque criminoso. Eu sou juiz, juiz fala ao final da apuração, não no início.”

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