Barroso tranca ação penal contra PMs que lideraram greve na Bahia

Barroso tranca ação penal contra PMs que lideraram greve na Bahia

Ministro do Supremo Tribunal Federal acolhe parcialmente habeas corpus e livra de processo criminal policiais militares que cruzaram os braços entre 21 de janeiro e 11 de fevereiro de 2012

Luiz Vassallo e Julia Affonso

27 de junho de 2017 | 19h26

Foto: Ernesto Rodrigues / AE

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu parcialmente o habeas corpus 122201 para determinar o trancamento de ação penal na Justiça Federal na Bahia, contra policiais militares denunciados pela prática de supostos delitos relacionados à greve da PM baiana entre 31 de janeiro e 11 de fevereiro de 2012.

As informações foram divulgadas no site do Supremo.

Segundo o ministro, os policiais foram alcançados pela Lei 13.293, de 1.º de junho de 2016, que deu anistia relativa aos crimes políticos previstos na Lei de Segurança Nacional – Lei 7.170/1983 -, praticados por bombeiros e policiais militares que participaram dos movimentos reivindicatórios por melhores salários e condições de trabalho proporcionando, em consequência, a extinção de sua punibilidade.

Em relação às consequências da anistia, o ministro observou que, embora ela não atinja os delitos previstos no Código Penal, o crime de associação criminosa ou quadrilha, descrito na denúncia, perde o sentido. Isso porque, segundo explicou, a associação dos acusados teria ocorrido justamente para a prática das condutas que são impuníveis.

Barroso afastou o pedido da Procuradoria-Geral da República, em manifestação nos autos, de declaração incidental de inconstitucionalidade da Lei 13.293/2016, pois considera que, além de o Poder Legislativo ter competência constitucional para tratar do tema, seu exercício se deu, no caso, sem afronta aos princípios constitucionais da moralidade e da proporcionalidade, ‘de modo que a decisão política de anistiar os crimes não se mostra eivada do vício de inconstitucionalidade’.

O deferimento foi parcial pois o ministro determinou que os autos do processo referentes a crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente relativos a um corréu, que não é parte no habeas, sejam remetidos à Justiça Comum da Bahia para processo e julgamento, por não serem de competência da Justiça Federal.