Barroso homologa delação premiada de fundador da Qualicorp

Barroso homologa delação premiada de fundador da Qualicorp

A delação, acertada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), foi um dos vinte acordos fechados pela gestão de Augusto Aras neste ano. Multa acertada é de cerca de R$ 230 milhões

Rafael Moraes Moura/ BRASÍLIA

15 de dezembro de 2020 | 14h42

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso. Foto: Dida Sampaio / Estadão

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu na última segunda-feira (14) homologar o acordo de colaboração premiada do empresário José Seripieri Filho, fundador e ex-presidente da Qualicorp, empresa que atua na área de seguro de saúde. Segundo o Estadão apurou com fontes que acompanham a investigação, a delação atinge o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e José Serra (PSDB-SP), e o ex-senador Romero Jucá (MDB-RR).

O acordo pode abrir novas linhas de investigação na Operação Lava Jato e seus desdobramentos, em um momento em que a cúpula da PGR trava uma guerra interna com as forças-tarefa em Curitiba, São Paulo e no Rio. A Lava Jato foi a principal operação contra a corrupção da História do País e atingiu o mundo político de forma devastadora – mas está com o futuro em aberto.

A multa prevista no acordo do fundador da Qualicorp é de cerca de R$ 230 milhões. A delação, acertada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), foi um dos vinte acordos assinados pela gestão de Augusto Aras neste ano – alguns ainda aguardam a homologação.

Com a validação do acordo pelo ministro Luís Roberto Barroso, as acusações apresentadas pelo empresário poderão fundamentar apurações e levar à abertura de novos inquéritos. A delação foi homologada pelo STF por envolver autoridades com prerrogativa de foro perante o Supremo, especialmente integrantes da classe política. Barroso manteve sob sigilo o teor da delação.

Um dos trechos da delação, que traria implicações sobre nomes do MDB do Senado, diz respeito às negociações de uma medida provisória. Uma fonte que acompanha o caso apontou que o acordo não atinge nomes do PT.

Acordo.

As negociações de Seripieri Filho por uma delação foram abertas depois que o empresário foi preso, em julho, na Operação Paralelo 23. A investigação mira Serra, por suposto caixa 2 de R$ 5 milhões na campanha do tucano para o Senado em 2014.

Na época, investigadores da Polícia Federal apontaram indícios de que a Qualicorp tenha fraudado contratos para dissimular repasses à campanha do tucano.

Seripieri Filho era conhecido no mercado como um administrador astuto e que, segundo pessoas próximas, sempre esteve próximo de figuras de poder, independentemente do partido que estivesse no Planalto.

Segundo apurou o Estadão, a aproximação entre o empresário e Serra começou em 2010, quando um amigo em comum apresentou o fundador da Qualicorp ao então candidato à Presidência da República. Nessa época, a companhia era líder de setor. Quem conhece Júnior, no entanto, garante que a proximidade do empresário com figuras poderosas não se resumiu a tucanos. O círculo de amizade também incluía petistas.

Manifestações. Procurada, a Qualicorp informou que não se manifestaria. A assessoria de Serra disse que não há como fazer qualquer comentário sem o conhecimento da delação. Renan Calheiros não se pronunciou.

Segundo a defesa de Palocci, em razão de seu acordo de colaboração, o ex ministro “cooperou de modo irrestrito com a Justiça, narrando todos os fatos que praticou ou que teve conhecimento”.

O advogado Celso Vilardi, defensor do empresário, informou que não pode se manifestar sobre o caso.

Tudo o que sabemos sobre:

STFLuis Roberto Barroso

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.