Barroso declara nulo pagamento de correção sobre abono a juízes do TRT da Paraíba

Barroso declara nulo pagamento de correção sobre abono a juízes do TRT da Paraíba

Ministro do Supremo aponta 'ausência de previsão legal para correção monetária aplicada ao caso'

Redação

28 Maio 2018 | 17h46

Luís Roberto barroso. Foto: Nelson Júnior/STF

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, julgou procedente a Ação Originária (AO) 1444 para declarar a nulidade de resolução do Tribunal Regional do Trabalho da 13.ª Região (TRT-13), da Paraíba, que autorizou o pagamento de correção sobre o abono variável aos magistrados da Corte. O ministro determinou a restituição das quantias ‘indevidamente pagas’.

A resolução do TRT-13 determinou o pagamento de atualização monetária das parcelas vencidas e vincendas do abono pecuniário previsto na Lei 10.474/2002, a qual dispõe sobre a remuneração da magistratura da União, da mesma forma e índices adotados pelo Tribunal Superior do Trabalho, ‘bem como o direito ao pagamento das parcelas vincendas, de forma atualizada’.

A Lei 10.474/2002 prevê que o valor do abono variável concedido pela Lei 9.655/1998, com efeitos financeiros a partir de 2 de junho de 1998, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por magistrado, vigente à data daquela norma, e a decorrente da Lei 10.474/2002.

Estabelece ainda que serão abatidos do valor da diferença todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei 9.655/1998.

Os efeitos financeiros decorrentes da norma ‘serão satisfeitos em 24 parcelas mensais e sucessivas, a partir de janeiro de 2003’. O valor do abono variável da Lei 9.655/1998 ‘é inteiramente satisfeito na forma fixada no dispositivo’.

Ministro Barroso apontou que em nenhum momento a Lei 10.474/2002 trata da previsão legal de qualquer forma de correção monetária a incidir sobre o abono variável, assim como a Resolução 245/2002, do STF, que dispõe sobre a forma de cálculo do benefício, tampouco previu qualquer incidência de correção monetária.

De acordo com o relator, a resolução do STF determinou claramente que o pagamento do montante apurado seria devido em 24 parcelas iguais. “Diante da ausência de previsão legal, não entendo cabível a atuação do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região, no exercício de atividade eminentemente administrativa, para inovar no ordenamento jurídico, autorizando o indevido pagamento de correção monetária por intermédio da Resolução Administrativa 114/2004”, afirmou.

O ministro apontou que, não havendo, entre 1.º de janeiro de 1998 até o advento da Lei 10.474/2002, qualquer débito da União em relação ao abono variável criado pela Lei 9.655/98, dependente, à época, da fixação do subsídio dos ministros do STF, ‘não há que se falar em correção monetária ou qualquer valor não estipulado por essa regulamentação legal’.

COM A PALAVRA, O TRT-13

A reportagem está tentando contato com o TRT-13 da Paraíba.

COM A PALAVRA, A ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO DA 13.ª REGIÃO

A reportagem está tentando contato com a Amatra-XIII.