Barroso cassa decisão do CNJ que garantiu a juiz do Trabalho regra de aposentadoria revogada

Barroso cassa decisão do CNJ que garantiu a juiz do Trabalho regra de aposentadoria revogada

Relator do processo no Supremo, ministro aplicou jurisprudência da Corte máxima que prevê que, em matéria previdenciária, 'não há direito adquirido a regime jurídico', barrando acréscimo de 17% no contracheque do magistrado

Redação

15 de julho de 2018 | 05h00

Luís Roberto Barroso. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), julgou procedente a Reclamação (RCL) 10823, na qual a União questionava decisão do Conselho Nacional de Justiça que reconheceu a um juiz do Trabalho o direito de adicionar 17% ao tempo de serviço prestado no período anterior à edição da Emenda Constitucional (EC) 20/1998, independentemente da data em que cumpriu os requisitos para sua aposentadoria. O ministro cassou a decisão do CNJ com base na jurisprudência do Supremo de que, em matéria previdenciária, não há direito adquirido a regime jurídico.

As informações foram divulgadas no site do Supremo. A decisão foi publicada no Diário da Justiça eletrônico do STF de 27 de junho.

Na reclamação ao STF, a União sustentou que a decisão do CNJ ‘afrontou a autoridade da decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3104, quando o Plenário entendeu ser compatível com a Constituição o artigo 10 da EC 41/2003, que revogou o dispositivo da EC 20 que previa tal acréscimo para magistrados do sexo masculino’.

Naquele julgamento, por maioria de votos, o Supremo decidiu que o acréscimo de 17% ao tempo de serviço de magistrados do sexo masculino ‘aplica-se apenas àqueles que reuniram as condições necessárias à aposentadoria antes da edição da EC 41/2003’.

“De acordo com o que decidiu o CNJ, mesmo após a revogação expressa do artigo 8.º, parágrafo 3.º, da Emenda Constitucional 20/1998 pela Emenda Constitucional 41/2003, a regra nele prevista permaneceria aplicável aos magistrados do sexo masculino, ainda que não reunissem os requisitos para a aposentadoria sob a vigência daquele regime”, assinalou Barroso.

Segundo o ministro, ‘essa tese é incompatível com a orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal no paradigma, segundo a qual a aposentadoria rege-se pelas regras vigentes ao tempo da reunião dos requisitos necessários à sua concessão’.

“Além disso, a atribuição de eficácia ultrativa ao dispositivo deixa sem qualquer campo de aplicação a norma que o revogou, o que entra em contradição direta com o fato que o STF a declarou constitucional”, afirmou Barroso.

Alterações. Em sua decisão, o ministro relator lembrou que a redação originária do artigo 93, inciso VI, da Constituição Federal conferia aos membros da magistratura, independentemente do sexo, o direito à aposentadoria voluntária, com proventos integrais, após 30 anos de serviço.

Após a edição da EC 20, os magistrados passaram a se vincular ao mesmo regime previdenciário aplicável a todos os demais servidores públicos. Assim, para eles, a aposentadoria voluntária, com proventos integrais, passou a exigir 60 anos de idade e 35 de contribuição, se homem; e 55 anos de idade e 30 de contribuição, se mulher.

Por causa do aumento do tempo necessário à aposentadoria para os magistrados do sexo masculino, o artigo 8.º, parágrafo 3.º, da EC 20 estabeleceu regra de transição, consistente no acréscimo de 17% ao tempo de serviço até então prestado, por ocasião da passagem para a inatividade.

Posteriormente, a EC 41 promoveu novas alterações no regime jurídico aplicável à aposentadoria dos membros da magistratura do sexo masculino. O artigo 8.º, parágrafo 3.º, da EC 20 foi posteriormente revogado, com a ressalva de que a regra nele prevista poderia ser aplicada a quem reunisse os requisitos para passarem à inatividade sob a vigência do regime anterior.

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