Banqueiro passou só uma semana solto antes de cair de novo na teia da Lava Jato

Banqueiro passou só uma semana solto antes de cair de novo na teia da Lava Jato

José Augusto Ferreira dos Santos foi preso no dia 26 na Operação Poço Seco e foi colocado em liberdade cinco dias depois; nesta terça, 6, ele foi capturado na Operação Manus, que mira o ex-ministro Henrique Eduardo Alves

Julia Affonso e Ricardo Brandt

08 de junho de 2017 | 05h00

Foto: PF

O banqueiro José Augusto Ferreira dos Santos desfrutou de apenas uma semana em liberdade antes de ser preso novamente na Operação Lava Jato. Capturado em caráter temporário na Operação Poço Seco, fase 41 da Lava Jato, em 26 de maio, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, o banqueiro foi colocado em liberdade no dia 30. Nesta terça-feira, 6, ele foi preso preventivamente, agora na Operação Manus, por ordem do juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal, em Brasília.

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Segundo o juiz Vallisney, o banqueiro fez parte da trama envolvendo recursos do FI-FGTS. A Procuradoria da República, em Brasília, que requereu a prisão de José Augusto Ferreira dos Santos, investiga um ‘esquema criminoso’ relacionado à Caixa Econômica Federal e ao Fundo de Investimento do FGTS.

Segundo o Ministério Público Federal, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) montou ‘um amplo esquema de cobrança de propina que tinha vários beneficiários’. Henrique Eduardo Alves, ex-ministro dos governos Dilma e Temer (Turismo) seria um deles. Ele foi preso também nesta terça, 6.

A Procuradoria afirma que o ex-vice-presidente de Loterias da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto auxiliou Eduardo Cunha nas fraudes.

O juiz Vallisney expediu mandado de prisão contra Eduardo Cunha, que está custodiado no Complexo Médico-Penal em Curitiba, base da Lava Jato, e já foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão.

Ao mandar prender o banqueiro, o magistrado apontou para ‘fortes indícios de sua atuação como operador financeiro para o recebimento dos valores ilícitos, cometimento da prática de lavagem de dinheiro’. Segundo o juiz, autoridades suíças informaram à autoridade brasileira que haviam detectado pagamentos do delator da Lava Jato e empreiteiro Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia, para José Augusto Ferreira dos Santos, ‘responsável econômico pela conta da empresa Penbur Holding
S.A., com conta na BSI – antigo Banca dela Svizzera Italiana’.

Entre os meses de 2011 e 2011 a Penbur Holding S.A. BSI foi beneficiária de vultosos recursos das contas de Ricardo Pernambuco e fez transferências diversas em dólares, sendo José Augusto Ferreira o beneficiário de duas offshores com contas na Suíça, de modo que existem indícios de que esse investigado em conluio com Eduardo Cunha forneceu a conta Penbur para recebimento de valores ocultos de Ricardo Pernambuco decorrente da operação do FI-FGTS relacionado com a obra Porto Maravilha no Rio de Janeiro, além de outras operações nesse Fundo, tudo levando a crer neste momento perfunctório que são idôneos os indícios de sua participação no crime de lavagem de dinheiro a mando ou em combinação com Eduardo Cunha e outras pessoas”, observa o magistrado.

Ao decretar a prisão do banqueiro, o juiz apontou para ‘garantia da ordem pública, pela gravidade dos fatos e periculosidade do agente e habitualidade delituosa, uma vez que também é investigado por lavagem de dinheiro envolvendo recursos da Petrobrás/operação Lava-Jato’.

“Entendo haver o efetivo risco que solto José Augusto Ferreira continuará a operar seja para apagar provas, seja para continuar na atividade criminosa de lavagem de dinheiro, seja ainda usufruindo dos vultosos recursos que foram detectados no exterior pelas autoridades Suíças, possivelmente fruto do crime decorrente das operações até aqui apontadas como criminosas em detrimento da Caixa Econômica Federal e FI-FGTS”, decretou o magistrado.

Poço Seco. Essa operação, deflagrada pelo juiz Moro, investiga propina de US$ 5,5 milhões da empresa Companie Beninoise des Hydrocarbures SARL (CBH) em negócio da Petrobrás em Benin, na África.

A primeira fase dessa investigação, deflagrada em 2015, identificou propina de US$ 1,5 milhão para o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) – parte do dinheiro teria sido destinado à conta Kopec, da mulher de Cunha, Cláudia Cruz, na Suíça; nesta quinta, 25, o juiz Moro absolveu Cláudia dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas.

José Augusto havia sido preso temporariamente por cinco dias. Ao final do período, o Ministério Público Federal não pediu a extensão da custódia.

A juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro, impôs quatro medidas cautelares ao banqueiro, ao não prorrogar sua custódia.

A magistrada havia estabelecido: comparecimento a todos os atos do processo, inclusive da investigação, mediante intimação por qualquer meio, inclusive por telefone; obrigação de não deixar a residência por mais de 30 dias sem prévia autorização do Juízo; obrigação de não mudar de endereço sem prévia autorização do Juízo; e proibição de deixar o país, sem prévia autorização do Juízo, com entrega, no prazo de três dias, dos passaportes nacionais ou estrangeiros a sua disponibilidade.

Nesta terça, 6, José Augusto se despediu da liberdade. Está de volta à prisão, agora da Operação Manus, que pegou o ex-ministro do Turismo e aliado do presidente Temer.

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