Bancos e governos tentam mitigar enorme impacto econômico e social da pandemia

Bancos e governos tentam mitigar enorme impacto econômico e social da pandemia

José Pena*

23 de março de 2020 | 08h00

José Pena. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com o rápido avanço das infecções de covid-19 ao redor do mundo, o cenário econômico tem mudado de maneira igualmente acelerada. Seja por determinação das autoridades, seja por ação voluntária da população, o verdadeiro enclausuramento de cidades, estados e países inteiros têm custo econômico elevadíssimo, que já começa a ser refletido nos indicadores mais contemporâneos de atividade econômica. Um exemplo disso foi a explosão de pedidos de auxílio desemprego nos EUA ao longo da última semana. 

Ainda que a real magnitude da recessão que paira sobre o mundo seja desconhecida, os bancos centrais ao redor do globo têm agido de maneira tempestiva. O Federal Reserve antecipou-se à reunião que ocorreria na quarta-feira (18) e já no domingo anterior se comprometeu a inundar de dólares o mercado, comprando títulos soberanos americanos e ativos com lastro em hipotecas, de modo a evitar um colapso do sistema financeiro. O Banco Central Europeu agiu nessa mesma direção, assumindo o compromisso de comprar títulos soberanos e privados em um valor que pode chegar a €750 bilhões. O uso de ferramentas quantitativas nessa magnitude e velocidade não era visto desde a crise de 2008. 

Brasil

É possível dizer que a decisão do Copom de quarta-feira (18), de reduzir a Selic em 0,50 pontos percentuais, frustrou pelo menos parte dos agentes de mercado. Ainda que tenha mencionado em seu comunicado que conta com um arsenal de ferramentas para lidar com a crise (além da taxa Selic), o Banco Central tem se mostrado até aqui cauteloso em usá-las numa escala maior, assim como demonstra clara preocupação em reduzir adicionalmente a Selic diante do risco de abandono da agenda de reformas e da consequente perda da âncora fiscal. 

Do lado do Ministério da Economia, as primeiras medidas anunciadas têm se concentrado em mitigar os impactos econômicos da pandemia sobre os segmentos mais vulneráveis – idosos, trabalhadores informais e pequenos negócios – ao mesmo tempo em que procuram mitigar a inevitável piora das finanças públicas. Embora na direção certa, as ações já anunciadas muito provavelmente se mostrarão insuficientes, exigindo medidas adicionais para reduzir ao máximo possível os efeitos econômicos e sociais da crise. 

Na próxima semana conheceremos os PMIs (Índice de Gerentes de Compras) preliminares de março, com informações absolutamente importantes para verificarmos qual é o atual estado da economia global. A julgar por indicadores mais contemporâneos ou evidências anedóticas, esses índices devem registrar quedas bastante expressivas. Por aqui, conheceremos a inflação medida pelo IPCA- 15 de março, que em meio ao cenário atual, perde muito de sua relevância habitual.

 *José Pena é economista-chefe da Porto Seguro Investimentos

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