Bancada do PT na Câmara pede ao Supremo que afaste Salles do cargo

Bancada do PT na Câmara pede ao Supremo que afaste Salles do cargo

Deputados afirmam que a permanência do ministro do Meio Ambiente no governo, além de contribuir para o desmonte da política ambiental, abre caminho para obstrução das investigações em curso contra ele por suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo a exportação ilegal de madeira

Rayssa Motta

21 de maio de 2021 | 16h19

A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) cobrar o afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, investigado sob suspeita de participação em um esquema de corrupção ligado à exportação ilegal de madeira.

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Os parlamentares afirmam que a permanência de Salles no cargo, além de contribuir para o desmonte da política ambiental, abre caminho para obstrução das investigações em curso contra ele.

“Além de fraudar o compromisso constitucional de defender o meio ambiente no País, [Salles] vem diuturnamente se posicionando ao lado dos que vulneram as regras ambientais, criando, desta feita, embaraços às apurações e investigações que procuram desvendar todos esses desmandos ambientais no País”, diz um trecho da notícia-crime.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: Felipe Rau/Estadão

O pedido vai ser analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, que autorizou buscas contra Salles na Operação Akuanduba, aberta da Polícia Federal na quarta-feira, 19, e mandou desarquivar uma notícia-crime que atribui ao ministro do Meio Ambiente os crimes de prevaricação, advocacia administrativa e de responsabilidade na reunião ministerial em que ele sugeriu aproveitar a pandemia para ‘passar a boiada’ em medidas regulatórias. Moraes também afastou do cargo o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim.

“São reiteradas as denúncias contra o ministro Ricardo de Aquino Salles pelo desmonte da política ambiental brasileira, mediante o enfraquecimento dos órgãos de proteção e fiscalização do meio ambiente”, afirma o PT.

Principal alvo da operação da PF, Salles nega irregularidades e diz que Moraes foi ‘induzido ao erro’. Ao Supremo, os investigadores apontaram ‘movimentação extremamente atípica’ de R$ 14,1 milhões no escritório de advocacia do qual o ministro do Meio Ambiente é sócio, em São Paulo, entre 2012 e junho do ano passado, e levantaram suspeita de favorecimento ao contrabando de produtos florestais no País.

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