Baiano, Duque e Cerveró já tiveram reuniões para tratar de delação na Lava Jato

Baiano, Duque e Cerveró já tiveram reuniões para tratar de delação na Lava Jato

Operador do PMDB e ex-diretores da Petrobrás (Serviços e Internacional) estão presos em Curitiba e podem revelar novos focos de corrupção em estatais

Redação

06 de agosto de 2015 | 18h11

Da esquerda para a direita: Fernando Baiano, Nestor Cerveró e Renato Duque. FOtos: Geraldo Bubniak e Estadão

Da esquerda para a direita: Fernando Baiano, Nestor Cerveró e Renato Duque. Fotos: Geraldo Bubniak e Estadão

Por Andreza Matais, de Brasília, e Julia Affonso

Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema da Lava Jato, e o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque estão negociando com o Ministério Público Federal um acordo de delação premiada. Os dois já tiveram duas conversas com os procuradores da força-tarefa da operação que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás. O ex-diretor da petroleira Nestor Cerveró também já teve uma reunião com os procuradores. Até o momento, contudo, nenhum dos três teria repassado para os investigadores informações consideradas relevantes para iniciar um processo de delação.

Baiano, Duque e Cerveró estão presos em Curitiba há meses e até agora não haviam demonstrado intenção de colaborar com a Justiça. A mudança de posição ocorre no momento em que a operação já conta com ao menos 23 delatores, que têm sido beneficiados com redução de pena e liberdade provisória. Se fecharem o acordo, o número de delatores sobe para 26.

Renato Duque desiste de habeas corpus

A expectativa dos investigadores é que os três possam abrir novas frentes de investigação na Operação Lava Jato. Baiano e Cerveró foram denunciados em fevereiro por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Cerveró já foi condenado em um dos processos a cinco anos de prisão, por lavagem de dinheiro.

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Duque também foi denunciado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Segundo a força-tarefa, os dois ex-diretores atuavam para favorecer o PT (Duque) e o PMDB (Cerveró) no esquema de corrupção. Um porcentual dos contratos fechados nas diretorias que eles comandavam era repassado para os dois partidos. Baiano era quem arrecadava os valores para o PMDB, apontam os investigadores.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS

O advogado de Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, negou que seu cliente tenha conversado com os procuradores, mas não descarta a delação. “Já disse ao Nestor que sou contra a delação e que se ele quiser fazer é só me avisar que eu renuncio. Ele respondeu que ficaria comigo. Agora, não descarto que possa acontecer um momento de desespero dele e partir para a delação”, afirmou o criminalista, acrescentando ser contra por considerar que o juiz Sérgio Mouro esta usando a prisão preventiva para forçar as confissões. Ele aguarda decisão do STJ e STF de pedidos de habeas corpus para seu cliente.

A defesa de Renato Duque confirmou, por meio da assessoria de imprensa do escritório Marlus Arns de Oliveira, que ele teve uma reunião com os procuradores da força tarefa da Lava Jato de Brasília e Curitiba na superintendência da PF no Paraná. O ex-diretor da petroleira aguarda uma manifestação dos procuradores a respeito.

O criminalista Nélio Machado, que defende Fernando Baiano, foi procurado, mas não ligou de volta.

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