Bad (legal) blood: questões legais por trás da decisão de Taylor Swift de regravar seus álbuns

Bad (legal) blood: questões legais por trás da decisão de Taylor Swift de regravar seus álbuns

Beatriz Dornellas*

07 de junho de 2021 | 09h00

Beatriz Dornellas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Recentemente, foi amplamente noticiado que a cantora e compositora Taylor Swift estaria regravando os seus seis primeiros álbuns, todos lançados no início da sua carreira, alguns deles vencedores de prêmios importantes, como o Grammy Awards. Muitos fãs estranharam que, em vez de estar focando em novas composições, a cantora esteja colocando sua energia em trabalhar em um repertório já conhecido e divulgado. Porém, ela tomou uma decisão ousada.

Embora contenham composições de Taylor, esses seis álbuns pertenceriam à sua antiga gravadora, a Big Machine Label Group. Seguindo a prática de mercado da época, refletida nos contratos assinados pela artista, a gravadora é titular dos direitos sobre os álbuns gravados. Ou seja, na verdade Taylor Swift não é a proprietária de seu acervo.

Tudo complicou ainda mais quando a Big Machine Label Group foi vendida para a Ithaca Holdings, empresa do desafeto e ex-agente musical de Taylor Swift, Scooter Brown. A venda  incluiu todo o seu catálogo da gravadora, incluindo os sucessos da artista, que não pôde fazer nada para impedir a negociação.

Posteriormente, 17 meses após essa aquisição, os masters (gravações originais) dos álbuns (estimados em 300 milhões de dólares) foram vendidos para a Shamrock Holdings, um fundo de investimento, sem o conhecimento de Taylor Swift. Ela estava tentando adquirir seu próprio catálogo, mas a transação não foi permitida pelo seu ex-agente. Tudo parecia perdido para ela, que foi às redes sociais compartilhar com seus fãs seu drama pessoal. Para ela, significava não mais poder tocar seus maiores sucessos pois estaria gerando lucros para terceiros, em especial, Scooter Brown, o que considerava inadmissível.

Foi quando a cantora teve uma grande ideia que poderia mudar o rumo de sua trajetória. ideia, Ciente de que seu contrato com a antiga gravadora permitia que, após certo período, ela pudesse regravar canções dos seus álbuns anteriores, foi o que decidiu fazer. Como ela mesma comentou, usou a brecha de sua agenda – que só aconteceu por causa da pandemia – para tentar uma alternativa ao seu problema.Nesse caso, a intenção da cantora é de que essas regravações substituam as antigas faixas (ainda disponíveis ao público), que serão novamente divulgadas por ela, fazendo com que as primeiras versões se desvalorizem. É uma aposta ousada.

Para que seu plano dê certo, Taylor pediu a seus fãs que parassem de ouvir as versões antigas de suas músicas e priorizassem apenas as regravações atuais. Dessa forma, a cantora lançou no início de 2021 a regravação da sua famosa faixa “Love Story”, que já conta com mais de 7 milhões de visualizações no YouTube. Outras estão vindo aos poucos, seguindo as brechas dos contratos. A previsão é de que quase todos os álbuns sejam regravados ainda esse ano. “Fearless” foi disponibilizado em abril, “1989”, “Speak Now” e “Red” devem ainda chegar ao público antes do final do ano. Apenas “Reputation” é que pode ter que esperar até 2022 para entrar no projeto. Para que os fãs não se confundam, as versões novas serão sinalizadas pela artista com a referência de “Taylor’s version” (a versão de Taylor), para que não reste dúvida de qual ela prefere que seja executada.

A transparência de Taylor Swift sobre a questão agradou a críticos e fãs. Segundo ela, é a única alternativa de recuperar seu orgulho de ouvir suas primeiras músicas lançadas. Os céticos sugerem que a iniciativa possa acabar valorizando ainda mais o material original, uma vez que as comparações sejam inevitáveis, mas a cantora conta com a fidelidade e apoio de seus fãs. Resta acompanhar como será o desenlace dessa estratégia, que pode inspirar outros artistas com semelhantes conflitos contratuais.

*Beatriz Dornellas, do escritório Di Blasi, Parente & Associados

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