Baby steps

Baby steps

Andréia Saltz Grinberg*

28 de outubro de 2020 | 03h00

Andréia Saltz Grinberg. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

É possível caminhar sem chão?

É comum, em nossas vidas, nos deparamos com momentos de decisão. Daquelas que, para aproveitá-las, precisamos uma boa dose de coragem. Fazer uma viagem, mudar de casa, morar fora, fazer filhos — se pararmos para pensar, quantas vezes, depois de realizarmos algo, nos damos conta de que nem tínhamos ideia de como seria, se “daria mesmo certo”?

Possuímos uma tendência natural, a de procurar garantias: claro que passos importantes precisam ser pensados, pesados e construídos. Mas nossa capacidade de autoconhecimento pode ser bastante útil para a verdadeira conexão com a escolha: na medida em que nos conhecermos melhor, saberemos um pouco mais sobre o potencial de darmos alguns passos sem a garantia de um manual.

A psicoterapia, nesse contexto, pode ser uma aliada fundamental no auxílio à nossa tomada de decisões: conversarmos, e estarmos assim disponíveis para alcançarmos um nível de entendimento inconsciente, nos ajuda a conscientizar sobre o novo: nos projetarmos sobre ele em pensamento, nos apropriando justamente como parte integrante desse novo contexto, para então poder transformar pensamento em realização.

Diante de novas situações, faz parte do processo sentirmos medo. A psicoterapia também nos dá elementos para que saibamos a diferença entre nos aprisionarmos na armadura do medo ou simplesmente absorvermos esse medo, respirarmos, e agirmos. Aceitar o medo, entendermos nosso sentimento diante dele, e ainda assim sermos capazes de nos mover tem potencial para transformar um suposto abismo em um caminho onde o chão se constrói na medida em que damos nossos novos passos.

Às vezes não nos damos conta, mas essa coragem e esse desprendimento já estão presentes em nossas vidas. Basta um elemento de reconexão: afinal, já não fomos bebês dando os primeiros passos?

É possível caminhar sem chão. Desde que estejamos dispostos a acreditar na essência da construção de cada passo nosso.

*Andréia Saltz Grinberg, psicóloga clínica

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