Babá de ministro chavista é solta e volta para Venezuela

Jeanette Anza, presa há uma semana com revólver 38 em Cumbica, ganhou habeas corpus e viajou em avião da estatal petrolífera de seu país

Redação

31 de outubro de 2014 | 18h06

Fausto Macedo

A venezuelana Jeanette Del Carmen Anza, babá dos filhos do ministro chavista Elias Jauá Milano (Relações Exteriores), está de volta a seu país. Ela embarcou nesta sexta feira, 31, em voo privado, na aeronave prefixo YV 2726, da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), depois de passar cinco dias presa em São Paulo.

Ela estava presa preventivamente depois de ser autuada em flagrante por tráfico internacional de armas na sexta feira, 24, no desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos/Cumbica de posse de um revólver calibre 38 Smith&Wesson, com cinco munições.

Jeanette Anza foi solta por decisão do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3), que na última quarta feira, 29, concedeu liminar em habeas corpus apresentado pela defesa da babá. Ela trabalha há 12 anos para o ministro chavista – Elias Jauá já estava em São Paulo, acompanhando a mulher que passou por tratamento de saúde no Hospital Sírio Libanês.

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O TRF3 não impôs condições à babá – não a obrigou a permanecer no Brasil para responder ao processo criminal.

O único ato a que ela deve comparecer na Justiça brasileira é do seu próprio interrogatório. Mesmo assim, essa audiência poderá ser realizada por carta rogatória.

A decisão judcial acatou os argumentos da defesa, segundo a qual Jeanette Anza, em liberdade, não põe em risco a ordem pública, nem a aplicação da lei penal. A Justiça considerou que não havia necessidade da prisão preventiva da babá e que, mesmo com a acusada de volta a seu País, o processo seguirá seu rumo de forma regular.

Antes de embarcar para Caracas, Jeanette Anza compareceu à 5.ª Vara Federal de Guarulhos e assinou termo de compromisso no processo de comparecer a todos os atos. Ela informou que estava retornando à Venezuela.

O calibre 38 pertence ao ministro chavista. Foi apreendido com Jeanette Anza na madrugada de sexta feira, 24, quando ela chegava a São Paulo. A babá declarou que veio ao Brasil, acompanhada da sogra do ministro, Roselia Gonzales, porque Elias Jauá lhe pediu que trouxesse sua maleta preta com documentos.

Segundo ela, o ministro havia orientado para tirar da maleta o revólver 38. Jeanette afirmou que “não encontrou” a arma, interceptada pelo raio X do aeroporto.

Na maleta do ministro também havia material de cunho político que fala da “derrota permanente do inimigo”. Na capa de uma cartilha com instruções para “neutralizar o inimigo”, está escrito à mão um recado: “Presidente, espero que seja de sua utilidade.” Não se sabe que “Presidente” seria o destinatário do documento chavista.