Azambuja diz que ‘dois dias antes’ adversários já postavam nas redes operação que o pegou

Azambuja diz que ‘dois dias antes’ adversários já postavam nas redes operação que o pegou

Em entrevista exclusiva ao site de notícias Campo Grande News, governador de Mato Grosso do Sul (PSDB), candidato à reeleição e sob suspeita de propinas em troca de benefícios fiscais ao setor agropecuário, relata que na Polícia Federal respondeu a 36 perguntas no inquérito da Operação Vostok

Redação

14 Setembro 2018 | 17h02

Reinaldo Azambuja. Foto: Chico Ribeiro

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), declarou nesta sexta, 14, que ‘dois dias antes’ da deflagração da Operação Vostok, que o liga a suposto esquema de propinas em troca de concessão de benefícios fiscais para o setor agropecuário, adversários políticos já postavam nas redes informações sobre a investigação. Em entrevista exclusiva ao site de notícias Campo Grande News, Azambuja disse que ‘isso merece esclarecimento, o porquê dessa operação midiática a 20 dias das eleições’.

Azambuja é candidato à reeleição.

Na quarta, 12, o tucano foi alvo da Vostok. Amparados em decisão do ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, agentes da PF fizeram buscas na residência, no gabinete e no comitê de Azambuja. Um filho do governador, Rodrigo Silva, foi preso. Também foram presos pela Vostok o deputado estadual José Roberto Teixeira (DEM), o ‘Zé Teixeira’, e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Márcio Monteiro, que foi secretário da Fazenda.

Investigações preliminares apontaram que a propina era paga de três formas: como doação eleitoral, em dinheiro vivo e por meio da simulação de contratos de compra e venda, com a utilização de várias empresas do setor agropecuário.

Essas empresas emitiam notas fiscais falsas para dar aparência de legalidade ao negócio.
Entre os alvos da Vostok estão pecuaristas locais responsáveis pela emissão das notas fiscais ‘frias’.

A Vostok tem origem na delação de executivos da J&F/JBS e atribui ao tucano suposto recebimento de propinas de R$ 67 milhões em troca de favores fiscais ao Grupo.

A defesa afirmou que ‘não há qualquer evidência, prova, ainda que indiciária, do recebimento de valores indevidos por parte do governador, o que somente vem a demonstrar a desnecessidade e excesso das medidas praticadas’.

Na entrevista ao Campo Grande News, o governador questionou a atuação policial e afirmou que a ‘origem do seu dinheiro está no trabalho’.

Azambuja criticou o ‘vazamento seletivo’ da Vostok e avisou que vai ‘denunciar a situação a órgão de controle do Ministério Público’, referindo-se ao Conselho Nacional do MP, que fiscaliza a instituição.

Ele disse que na PF respondeu a 36 perguntas e rechaçou movimentação financeira suspeita em suas contas.

“Depois de um ano e quatro meses da delação, tive oportunidade de falar”, argumenta Azambuja. “Depois do estardalhaço e questão midiática. Esclareci ponto a ponto, apresentei toda a documentação que tira a dúvida do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, do Ministério da Fazenda). Nunca teve movimentação finaceira suspeita na minha conta.”

O governador anotou que ‘tudo que tem de entrada e saída são recursos lícitos da sua atividade agropecuária’.

“A verdade vai prevalecer ao denuncismo desenfreado”, afirmou.

Azambuja relatou que a Operação Vostok aponta suspeitas sobre ele a partir de depósito da JBS em uma conta sua. Ele explicou, na entrevista. “Pós delação, em setembro de 2017, eu abati bovinos no frigorífico JBS. Emiti nota, tirei a Guia de Trânsito Animal. Eles me entregaram a contra nota, depositaram dinheiro na minha conta. E isso eles (investigadores) colocam como suspeito. Entreguei todos os documentos ao ministro, para que ele possa analisar toda a movimentação bancária.”

O governador disse que ‘pela primeira vez teve oportunidade de entregar documentos’ aos investigadores.

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