Avanços e desafios para o Brasil ter uma sociedade cashless

Avanços e desafios para o Brasil ter uma sociedade cashless

Bruno Lindoso*

22 de setembro de 2020 | 03h30

Bruno Lindoso. FOTO: DIVULGAÇÃO

Diariamente, convivemos com soluções inimagináveis até o início do século 21. Aplicativos mobile, internet banking, QR Code, pagamentos por NFC ou reconhecimento facial, criptomoedas, entre outras inovações que surgiram para otimizar processos, aprimorar resultados e simplificar cotidianos. A pandemia de COVID-19 acelerou ainda mais as relações entre humanos, tecnologia e dinheiro pela necessidade de reduzir o contato entre as pessoas e o uso do papel moeda, potencializando a adoção cada vez maior da tecnologia cashless. A nova tendência, como qualquer outra, cria novos desafios. Mas o Brasil está preparado para se adaptar a essa nova realidade?

De acordo com a OMS, as cédulas, que transitam nas mãos de diversas pessoas, aumentam a chance de disseminação do vírus. Consequentemente, algumas empresas estão exigindo pagamentos sem contato e baniram o uso de notas e moedas por razões de higiene.  Para mitigar os impactos nas novas soluções de entretenimento durante a pandemia, como por exemplo nos drive-ins, o cashless tem se mostrado forte aliado,  proporcionando segurança e organização nas transações, sem que pessoas saiam dos seus próprios carros. Desta forma é que enxergo o futuro: com novas soluções cashless para que essas notas e moedas estejam cada vez menos em circulação e que as inovações em pagamentos provoquem disruptura no atual processo e que possibilite conveniência e experiências frictionless.

O uso de cartões, aplicativos ou dispositivos eletrônicos são transparentes, confiáveis e geralmente bastante simples. Não são necessárias viagens ao caixa eletrônico e não há necessidade de se preocupar em transportar grandes quantias de dinheiro em público – questões diretamente relacionadas à segurança. Afinal, o dinheiro pode ser facilmente perdido, extraviado ou falsificado. E quando isso acontece, recuperar os fundos pode ser extremamente difícil. A maioria das transações digitais oferece vários níveis de segurança que dificultam ações externas, como a capacidade de contestar uma cobrança por cartão de crédito, com a qual o dinheiro não pode competir.

Uma sociedade cashless não apenas facilita a vida dos indivíduos, mas também ajuda a autenticar e formalizar as transações que são realizadas. Isso possibilita a conter a corrupção e fluxo de lavagem de dinheiro, o que resulta em crescimento econômico. Além disso, as despesas em decorrência ao elevado custo de impressão e transporte das notas e moedas são reduzidos.

Em 2020, no Brasil, a Caixa Econômica Federal, entre abril e julho, abriu 53,6 milhões de contas. Segundo seu presidente, Pedro Guimarães, em um intervalo apenas de 15 a 20 dias foi construído um banco digital para 122 milhões de pessoas. Pessoas que antes não tinham acesso ao sistema financeiro estão começando a ter uma conta digital e até mesmo a realizar compras online.

Ainda há um vasto caminho a ser percorrido com diversos desafios a serem superados. Analisando a longo prazo, os benefícios para essa ‘sociedade sem dinheiro’ serão muito maiores. Estamos vendo alguns movimentos interessantes como a nova forma de pagamento – PIX – que está chegando para impulsionar de forma mais rápida esse processo. Sem dúvida, o PIX terá um papel muito importante para evolução do dinheiro digital no Brasil.

Segundo o balanço do primeiro trimestre de 2020, divulgado pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS), o pagamento por aproximação cresceu 456% e movimentou R$3,9 bilhões no primeiro trimestre de 2020 quando comparado ao mesmo período de 2019, quando movimentou R$708 milhões. O setor vem trabalhando para ampliar o uso de NFC (Near Field Communication).

Enquanto isso, mundo afora, o papel moeda está cada vez menos presente na vida das pessoas tendo em vista que, alguns países estão no caminho avançado para formar uma sociedade cashless. Por exemplo, na Suécia, apenas 2% de todas as transações financeiras são realizadas por cédulas e moedas. Já na China, o governo incentiva cada vez mais o uso de aplicativos como AliPay e Wechat. O país simplesmente migrou do dinheiro para os aplicativos e contas digitais, sem nem mesmo criar uma base significativa de cartões “plásticos” de crédito ou débito. O Alipay já possui 900 milhões de usuários e foram processados, em 2019, 16 trilhões de dólares em transações. Já em 2018, na China, foram processados 67 trilhões de dólares em transações via celular. Com esses dados, podemos ter a dimensão da potência que representa uma sociedade cashless.

Nós estamos nos adaptando ao novo mundo de pagamentos através de modernas tecnologias sem contato, que obtiveram adesões recordes nesses últimos seis meses. O mundo cashless definitivamente chegou sem pedir licença e a sociedade está, enfim, reconhecendo que o digital é um caminho sem volta porque compreendeu que a conveniência, junto com segurança e simplicidade, é o super trunfo em meios de pagamentos. As ferramentas estão no lugar. Apenas o que é necessário para avançar é a vontade de agir.

*Bruno Lindoso, CEO e fundador da netPDV

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