Avanço da Lava Jato não inibiu políticos de pedir caixa 2 em 2016, diz delator

Avanço da Lava Jato não inibiu políticos de pedir caixa 2 em 2016, diz delator

Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, contou aos procuradores que, mesmo com a prisão de executivos da empreiteira, 'vários políticos' pediram contribuição nas eleições municipais do ano passado

Rafael Moraes Moura, de Brasília

16 de abril de 2017 | 21h20

S11 ARQUIVO 14/04/2017 POLITICA DELAÇÃO ODEBRECHT - O Supremo Tribunal Federal liberou nesta quarta-feira (12) os vídeos das delações de ex-funcionários da Odebrecht à Procuradoria Geral da República (PGR) , entre eles os de Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental. FOTO MPF

Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental. FOTO: MPF

O avanço da Operação Lava Jato – com a prisão, inclusive, de executivos de empreiteiras -, não inibiu políticos de buscarem ajuda da Odebrecht nas eleições municipais de 2016, disse em delação premiada o ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis.

“Mesmo na eleição de 2016, onde nós não praticamos nada, absolutamente nada, já com a Lava Jato em curso, já com nossos executivos presos, já com a consciência de que a Odebrecht estava fazendo uma delação e a imprensa divulgando isso, mesmo assim nós fomos buscados por vários políticos para fazer contribuição de campanha de caixa 2”, disse Reis, em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR).

No depoimento, Reis não informa os políticos que pediram caixa 2 na campanha de 2016.

DistorçãoO executivo disse que o processo de doação de caixa 2, de tão disseminado, acabou sofrendo uma certa banalização dentro da própria empresa.

“O exemplo de 2016 demonstra muito essa imagem que a gente acabou criando nesse sentido. A gente passou a ter uma distorção muito grande, tanto do ponto de vista de como nós éramos vistos, como no ponto de vista de como a gente via… Isso demonstra o caminho errado que a gente já tinha tomado”, comentou Reis. “Nós entramos muito nesse círculo vicioso”, reconheceu.

Segundo o delator, os pedidos de caixa 2 eram encaminhados ao Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, conhecido como o departamento da propina. “A gente fazia recomendações, de que se devia ser doado aqui, ali, e coordenava várias dessas recomendações”, detalhou o executivo.

“Acho que nunca conseguimos influenciar que um candidato ganhasse (eleições), mas de alguma forma você conseguia, com o poder econômico, influenciar pelo menos nos discursos, nas ideias, nas elaborações dos planos. Isso foi claramente feito de uma forma errônea, distorcida e acabou trazendo a Odebrecht pros problemas que ela tem hoje”, avaliou Reis.

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