‘Autorizou que Joesley apresentasse ‘pontos de interesse’ ao ministro Henrique Meirelles?’

‘Autorizou que Joesley apresentasse ‘pontos de interesse’ ao ministro Henrique Meirelles?’

Na parte final do longo interrogatório de 82 questionamentos encaminhados ao presidente Michel Temer no inquérito da Operação Patmos, Polícia Federal cita o nome do ministro da Fazenda em duas perguntas

Fausto Macedo

06 de junho de 2017 | 13h27

Michel Temer e Henrique Eduardo Alves. Foto: André Dusek/Estadão

No rol de 82 perguntas encaminhadas a Michel Temer no inquérito da Operação Patmos – desdobramento da Lava Jato que põe o presidente sob suspeita de corrupção passiva e obstrução da Justiça no caso JBS -, a Polícia Federal cita duas vezes o nome do ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

Pergunta 79. “Em seguida, Joesley Batista referiu a importância de um ‘alinhamento’ com o Ministro Henrique Meirelles, ao que Vossa Excelência manifestou concordância. Qual o sentido da expressão ‘alinhamento’?”

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Pergunta 80. “Vossa Excelência autorizou que Joesley Batista apresentasse pontos de interesse ao Ministro Henrique Meirelles? Quais? Vossa Excelência tem conhecimento se isso realmente ocorreu?”

A PF não faz nenhum comentário sobre Meirelles, apenas o cita a partir do áudio da conversa entre o presidente e Joesley, acionista da JBS, na noite de 7 de março no Palácio do Jaburu. O diálogo foi gravado pelo empresário, que fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Temer alega que o áudio foi ‘manipulado, adulterado’. Mas não nega que tenha recebido Joesley naquela noite em sua residência.

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Antes de citar o nome de Meirelles no interrogatório de Temer, a PF fez indagações sobre o Conselho Administrativo de defesa Econômica (CADE), órgão antitruste do governo federal, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), áreas nas quais Joesley pretendia exercer influência supostamente com a anuência de Temer.

Pergunta 75. “No tocante às menções feitas pelo empresário à nomeação de presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) Vossa Excelência assegurou que tal nomeação já havia ocorrido. Vossa Excelência sugeriu a Joesley Batista que procurasse o novo Presidente do CADE para ter uma ‘conversa franca’ com ele? Qual o exato significado dessa orientação?”

Pergunta 76. “Vossa Excelência, naquele momento, tinha conhecimento de algum interesse específico de Joesley Batista no âmbito do CADE?”

Pergunta 77. “Joesley Batista mencionou também que o Presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estava por ser ‘trocado’ e que se tratava de ‘lugar fundamental’. Vossa Excelência, então, orientou o empresário para que falasse com ‘ele’. A quem Vossa Excelência se referiu?”

Pergunta 78. “Qual a legitimidade de Joesley Batista para interceder (ou tentar, ao menos) na nomeação do novo presidente da CVM?

As perguntas 79 e 80 são aquelas em que o nome do ministro Henrique Meirelles é citado.
A pergunta 81. “Joesley Batista também mencionou determinada operação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que tinha dado certo, sendo que Vossa Excelência manifestou ter conhecimento do tema, mencionando, inclusive, que havia falado com ‘ela’ a respeito. Qual operação referida pelo empresário?”

82. “A pessoa aludida por Vossa Excelência no contexto é Maria Silvia Bastos Marques, ex-presidente do BNDES? O que solicitou a ela?”