Autonomia é um presente valioso

Autonomia é um presente valioso

Gisele Medeiros Rubik*

14 de abril de 2019 | 04h00

Gisele Medeiros Rubik. FOTO: DIVULGAÇÃO

Talvez você já esteja cansado de ouvir esta palavra: autonomia. Afinal, por que essa é uma característica tão importante para o desenvolvimento infantil?

O desenvolvimento da autonomia está interligado a um conjunto de habilidades e capacidades que permitem ao indivíduo executar as ações necessárias para atingir um objetivo, assim como a elaboração de estratégias, a observação das coisas por novas perspectivas, a atenção, a percepção de erros e a capacidade de corrigi-los. Assim, o processo de amadurecimento infantil está diretamente ligado ao desenvolvimento do cérebro da criança, conforme as influências educacionais nas interações familiares, acadêmicas e sociais.

O exercício da autonomia representa uma condição primordial para a construção da personalidade da criança. Permite que ela possa resolver conflitos de forma crítica e assertiva, tal como, adaptar-se a diferentes ambientes e situações, buscar seus objetivos pessoais, desenvolver sua autoconfiança e socializar com mais facilidade.

Por mais difícil que seja para os pais, que estão dispostos a fazer o que for necessário para ajudar seus filhos, algumas tarefas básicas do cotidiano podem ser estimuladas para que a criança as execute sozinha. Esse exercício diário trará imensos benefícios, entre eles o fato de que a criança se sentirá empoderada ao perceber a confiança que seus pais depositaram em suas capacidades.

Consequentemente, falas e elogios dos adultos serão incentivadores para que aos poucos ela sinta-se capaz de executar mais e mais.

Pequenas atividades como arrumar a cama ou a mesa para as refeições, servir o próprio prato, levar a mochila para a escola, limpar a sujeira do animal de estimação, organizar os brinquedos, calçar os sapatos e tirar e vestir a própria roupa, entre outras, trazem benefícios gigantes, todas adaptadas de acordo com a faixa etária. Acredite, seu filho é capaz!

Mas todas essas recomendações não implicam negligência nos cuidados, ou seja, os pais devem continuar auxiliando seus filhos sempre. Porém, aos poucos podem (e devem) permitir que eles experimentem sozinhos, para que percebam suas potencialidades. Mostrar que estão ao lado deles deve ser rotina, mas deixar claro que eles são capazes também é importante. Todas essas ações compõem aprendizados imensos para ambos os lados. Ao perceber uma dificuldade, os pais devem encorajá-los a persistir, mostrá-los que a cada nova tentativa será uma oportunidade de aprimorarem as capacidades para, enfim, alcançarem seus objetivos e superarem medos e obstáculos até então considerados grandes e desafiadores.

A confiança dos pais em seus filhos gera benefícios que os auxiliarão por toda a vida. Vale muito a pena investir em atitudes que estimulam a autonomia. Vamos tentar?

*Gisele Medeiros Rubik é professora do Ensino Fundamental do Colégio Marista São Luís, de Jaraguá do Sul (SC)

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