Automação industrial bate à porta da indústria e empresas

Automação industrial bate à porta da indústria e empresas

Eric Neves*

21 de julho de 2020 | 05h00

Eric Neves. FOTO: DIVULGAÇÃO

A otimização do processo de produção sempre é tarefa fundamental para a maioria das indústrias, independente do seu setor. Para alcançar este objetivo é necessário investir na automação industrial, assim como na aquisição de Smart Machines e outros recursos da indústria 4.0, já disponíveis no mercado.

Apesar das inúmeras vantagens da automação, um fato vem potencializando o crescimento da indústria e empresas: a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A interrupção da produção, justamente pelo afastamento de funcionários dos seus postos de trabalho, obrigou as organizações a adaptar o seu modus operandi. Aqueles que já atuavam com recursos de automação, obviamente, saíram-se melhor, mas este novo cenário global promoveu uma ação essencial: a discussão sobre a aplicação da tecnologia industrial.

A utilização das Smart Machines, por exemplo, oferece desempenho em tempo real e dados operacionais, prontamente acessíveis. Essas informações ajudam a tomar decisões com base em informações 100% assertivas, reduzindo o tempo de parada em até 15%, aumentando a eficiência em até 20% e incrementando a produtividade das fábricas com redução de 90% do tempo de setup destas máquinas.

Além disso, as “máquinas inteligentes” permitem o acesso remoto seguro tornando possível monitorar o seu desempenho de qualquer lugar do mundo. Assim, reagindo a situações críticas quase que instantaneamente, economizando custos de deslocamentos, compartilhando instruções e orientações de reparos em tempo real, sem a necessidade de estar fisicamente no local, algo extremamente importante durante este período de pandemia.

Diante de tantos pontos positivos, um questionamento permanece: como aumentar o engajamento das empresas na busca pelos benefícios da modernização? Uma ação importante é justamente divulgar o tema junto às empresas do setor.

Uma pesquisa feita com 227 companhias e divulgada em 2018 pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), constatou que 32% nunca tinham ouvido falar em indústria 4.0. O estudo ainda apontou que, nesse sentido, 30% já deram início a esse processo, e 25% estão planejando. Para 52%, o progresso dessas iniciativas tem sido “limitado” e para 35% “substancial”.

Estimular o debate e a troca de experiências, como propõe a recém-criada Câmara Brasileira da Indústria 4.0, vai contribuir para a melhoria do cenário. Investimentos na infraestrutura da tecnologia da informação e na construção de redes de banda larga abrangente, confiável e acessível a todos favorecem também.

As empresas precisam enxergar os gastos com automação como um investimento que vai trazer competitividade e ganhos a médio prazo. A pandemia mostrou uma realidade já vivida por muitas indústrias, a continuidade da operação, ainda que numa situação extrema.

O Brasil ocupa a 69ª colocação no Índice Global de Inovação e, no Índice Global de Competitividade da Manufatura. O caminho a trilhar é longo, mas o investimento no modelo 4.0 é uma questão de sobrevivência para o nosso parque industrial.

*Eric Neves, líder de Negócios de Automação e Software da Rockwell

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.