Austríaca Bilfinger vai pagar multa de 2,6 milhões de euros por corrupção na Marinha

Austríaca Bilfinger vai pagar multa de 2,6 milhões de euros por corrupção na Marinha

Em acordo de leniência, empresa revelou detalhes sobre contratos de fornecimento de material para programa nuclear, entre 2012 e 2017

Fabio Fabrini

15 Agosto 2017 | 18h53


O governo federal assinou acordo de leniência com a austríaca Bilfinger Maschinenbau, que confessou prática de corrupção na Marinha. Por meio do termo, a empresa se comprometeu a pagar, em dois anos, 2,6 milhões de euros (R$ 9,8 milhões, ao câmbio desta terça-feira), que envolvem multa e valores referentes a dano ao erário e enriquecimento ilícito. A informação foi antecipada pelo Estado em 28 de julho.

Com o acordo, a Bilfinger poderá continuar celebrando contratos com órgãos públicos. Além do pagamento, a empresa se comprometeu a aperfeiçoar o seu programa de combate à corrupção, com objetivo de “adaptá-lo aos riscos e modelos de negócio praticados no Brasil”.

A Bilfinger procurou o governo em 2015 e manifestou seu interesse em formalizar o acordo de leniência após confirmar, por meio de auditoria independente, irregularidades em contratos administrativos. Além de informações, foram fornecidos documentos e elementos sobre os ilícitos à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), responsáveis pelas tratativas.

Como mostrou o Estado, a empresa admitiu ter negociado propina de 2 milhões de euros (cerca de R$ 7,5 milhões) com um agente público no Brasil, dos quais 1 milhão de euros (cerca de R$ 3,7 milhões) teriam sido efetivamente pagos. O suborno seria “comissão” por contratos da empresa com a Marinha.

Os contratos com a Marinha, analisados no âmbito do acordo de leniência, foram firmados com o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) para fornecimento de material usado no desenvolvimento do programa nuclear da instituição. Entre 2012 e 2017, eles somaram 23,3 milhões de euros (R$ 85 milhões), dos quais já foram pagos em torno de 10,7 milhões de euros (R$ 39 milhões).

Em sua delação premiada, executivos da Odebrecht também relataram pagamento de propinas, referentes ao programa.

Os repasses de outros órgãos públicos para a empresa – entre eles a Secretaria Especial de Grandes Eventos (Sesge), vinculada ao Ministério da Justiça, responsável pelos centros de monitoramento da Copa de 2014; o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a Polícia Federal – superam os R$ 20 milhões.

COM A PALAVRA, A BILFINGER
A Bilfinger não comenta detalhes acordo, alegando que a legislação impõe sigilo.

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