Auditores fiscais protestam no Aeroporto de Cumbica

Auditores fiscais protestam no Aeroporto de Cumbica

Manifestantes fizeram um ato 'Dia Nacional contra a Interferência Política na Receita Federal’

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

03 de novembro de 2016 | 12h47

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Dezenas de auditores fiscais fizeram um ato no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP) pelo ‘Dia Nacional contra a Interferência Política na Receita Federal’ nesta quinta-feira, 3. Os manifestantes também fizeram um apelo sobre o projeto de lei 5864/16.

Os auditores carregaram faixas com os dizeres ‘Auditores-fiscais em greve contra a interferência política na Receita Federal do Brasil’ e ‘Auditores fiscais em greve contra o loteamento político, o trem da alegria na Receita’.

Segundo os auditores, o projeto de lei 5864/16 foi encaminhado em julho, ’em cumprimento ao acordo efetuado’, e a relatoria foi distribuída ao deputado Wellington Roberto (PR/PB). Segundo os auditores, o parlamentar é ‘um dos principais aliados’ do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ), preso na Operação Lava Jato. O peemedebista é alvo de investigações da Polícia Federal, da Procuradoria da República e da Receita.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Algumas semanas depois, segundo os auditores, o aliado de Eduardo Cunha apresentou relatório substitutivo ‘completamente diferente do projeto original, um relatório que fragiliza e desorganiza a estrutura da Receita Federal e que caiu como uma bomba na casa’. “Desde então, a Receita Federal virou um caos”, afirma um auditor.

Foi apresentado, então, um segundo substitutivo que inquietou ainda mais a classe. Ao final, segundo eles, foram incorporadas 175 emendas, ‘o que dá uma ideia do nível de distorção e desconfiguração do projeto original, de 20 artigos’.

Desde o primeiro substitutivo os auditores entraram em greve ‘para garantir a estrutura e a posição da Receita Federal, que sairá extremamente enfraquecida e debilitada caso o substitutivo seja aprovado’.
Eles afirmam que a greve ‘não é por reajuste ou salários, ao contrário do que alguns veículos de comunicação têm passado’.

“O reajuste está garantido e o relator não alterou muita coisa nele, a não ser a inclusão de outros servidores no bônus institucional. Isso hoje é irrelevante para os auditores”, afirma um outro auditor.

Segundo eles, ‘a greve é única e exclusivamente para chamar a atenção da sociedade para o risco que a Receita e os auditores estão correndo de verem sua autonomia e autoridade mutiladas, sobretudo diante da participação fundamental que vêm tendo nas mais recentes investigações contra a corrupção’.

“Não estamos afirmando que o substitutivo foi deliberadamente elaborado com o propósito de desestabilizar e enfraquecer o órgão porque precisaria ter provas para tanto”, diz um auditor. “Mas está evidente que o deputado Wellington Roberto é suspeito para relatar um projeto de lei da Receita Federal em virtude de sua ligação com Eduardo Cunha, sendo este um dos principais investigados pelo órgão.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.