Atualizações do Banco Central levam o ecossistema bancário a um novo patamar de inovação

Atualizações do Banco Central levam o ecossistema bancário a um novo patamar de inovação

Diogo Cuoco*

24 de junho de 2020 | 05h00

Diogo Cuoco. FOTO: DIVULGAÇÃO

Desde que o Banco Central do Brasil (Bacen) anunciou o PIX como a sua nova ferramenta de pagamentos instantâneos, vejo as pessoas comentando dos benefícios que a tecnologia trará para os indivíduos, empresas, bancos e governo, já que permitirá que as transferências financeiras e os pagamentos no geral sejam realizados em até dez segundos, 24 horas por dia, 7 dias da semana e 365 dias por ano. Além de sinalizar o fim do TED e do DOC no país, a solução visa reduzir os custos das operações, tornando os processos menos burocráticos.

Temos um mercado financeiro extremamente concentrado e engessado. Entendo, então, que o ponto mais importante da chegada do PIX é a inclusão das fintechs e das empresas que de alguma forma atuam no setor. O PIX vai permitir que todos os players conversem entre si, abrindo um leque de possibilidades, democratizando o acesso e trazendo inovação. Em outras palavras, usuários de contas digitais e de contas bancárias poderão fazer transações monetárias entre si sem interrupção – algo inimaginável, já que atualmente tudo é processado pela Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) e por isso existe a questão de datas e horários de funcionamento.

A história da evolução do dinheiro está ligada a dois grandes pilares: autenticação e logística. A autenticação está ligada à fraude e segurança. Antigamente, quando se transacionavam moedas de ouro, autenticação era uma pessoa olhar a moeda e conferir se ela realmente tinha o valor que apresentava. Quando pensamos em cartão de crédito, autenticação é o varejo, por exemplo, ter a certeza de que quem está fazendo uma compra é o dono do cartão. Ao pensar no PIX, estamos diante de uma autenticação criptografa muito mais moderna e altamente segura. A logística, por sua vez, é a transferência de riqueza muito mais eficiente.

Outra grande vantagem do PIX é o custo no longo prazo. Segundo uma tabela de pagamentos divulgada pelo próprio Banco Central, dez transações custarão um centavo. Isso é uma redução de custo absurda! É verdade que diversas contas e bancos digitais já oferecem o TED de graça atualmente, mas vale o esclarecimento: isso é um subsídio e as empresas compensam posteriormente na CIP. O PIX, com essa despesa, permitirá que as estratégias adotadas pelas fintechs seja algo bem mais duradouro.

Acredito que tenha ficado claro que toda a sociedade só tem a ganhar com as atualizações do Banco Central. A solução dos pagamentos instantâneos vai trazer mais disruptividade e dinamismo para quem atua no mercado financeiro, tornando um ambiente de mais concorrência. E todo ambiente onde tem maior concorrência, tende a ter mais inovação. É o que precisamos.

*Diogo Cuoco é founder e CEO da TakiPay

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