Atletas iam de classe econômica e dirigentes de executiva, diz Águas Claras

Atletas iam de classe econômica e dirigentes de executiva, diz Águas Claras

Para delegado da PF Rodrigo de Campos Costa, fraudes e métodos adotados pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos na gestão Coaracy Nunes causaram ‘prejuízo no desempenho do esporte aquático no Brasil, especialmente na Olimpíada’

Julia Affonso, Gonçalo Júnior e Fausto Macedo

06 de abril de 2017 | 14h09

Foto: José Patrício/Estadão

Foto: José Patrício/Estadão

A investigação da Operação Águas Claras apontou que atletas vinculados à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) viajavam no sufoco da classe econômica para competir em países distantes, enquanto dirigentes da entidade iam de classe executiva. O presidente da CBDA, Coaracy Nunes, e outros dois dirigentes foram presos nesta quinta-feira, 6: Ricardo Cabral (Coordenadoria Técnica de Polo Aquático) e Sergio Ribeiro Lins de Alvarenga (Diretor Financeiro).

O secretário geral de Natação e Executivo, Ricardo de Moura, está foragido.

“O que foi apurado ao longo da investigação, especialmente nessa primeira fase, é que havia passagens compradas para os atletas, eles viajavam em classe econômica e os dirigentes viajavam em classe executiva. Chega a ser um pouco desproporcional, um atleta que vai representar o Brasil em uma competição de cunho internacional, representando o País, e tem que chegar bem, descansado, ele chegar todo machucado, travado. Ao passo que os dirigentes chegam de classe executiva”, afirmou o delegado regional da Polícia Federal Rodrigo de Campos Costa, do Combate ao Crime Organizado em São Paulo.

Segundo o delegado, os atletas que prestaram depoimento na fase inicial da Águas Claras apontaram ‘falta de apoio, de estrutura, de apoio técnico, suporte material’.

“A questão das passagens foi uma reclamação bastante constante. Na verdade, você tinha o Ministério do Esporte apoiando a CBDA e você não via uma contraprestação da CBDA, cuja finalidade é especificamente o fomento do esporte aquático, não aconteceu. Por falta desse apoio, o resultado foi justamente um desemprenho fraco dos esportes aquático na Olimpíada”, declarou.

Segundo a procuradora Thaméa Danelon, da Águas Claras, ‘não havia previsão sobre qual passagem deveria ser comprada’. ““O fomento tem que ser ao esporte, tem que ser destinado aos atletas. Entre ir um dirigente de classe executiva e um atleta, acredito que seja mais razoável ir o atleta”, declarou.

As investigações apuram o destino de cerca de R$ 40 milhões repassados à CBDA, que não teriam sido devidamente aplicados nos esportes aquáticos. Entre as fraudes, estão licitações para aquisição de equipamentos de natação no valor aproximado de R$ 1,5 milhão. Há indícios de que a empresa vencedora seja apenas de fachada, pois em seu endereço na capital paulista funciona uma Pet Shop.

Também é alvo da Águas Claras a contratação, com suspeitas de irregularidade, de agência de turismo que venderia passagens aéreas e hospedagens para os atletas com preços superfaturados. Essas contratações irregulares eram realizadas com verbas federais obtidas por meio de convênios com o Ministério dos Esportes.

A operação apura ainda a suposta apropriação por parte dos dirigentes da CBDA de premiação de 50 mil dólares americanos que deveriam ter sido repassados a atletas.

“É uma análise empírica, mas é fato que esse desvio causou prejuízo no desempenho do esporte aquático no brasil, especialmente na Olimpíada. Acho que isso é evidente”, afirmou o delegado Rodrigo de Campos Costa.

COM A PALAVRA, A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS AQUÁTICOS

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos-CBDA segue com suas atividades esportivas programadas para o período. Enquanto a presidência da entidade se encontra vaga, a 25ª vara civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nomeou o advogado e contador, Dr. Gustavo Licks, como administrador provisório. Desta forma, vimos informar à comunidade dos esportes geridos pela CBDA – natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas – que as ações imediatas programadas em seu calendário não serão interrompidas.

O principal evento do mês, o Campeonato Sul-Americano Juvenil/Junior, a ser realizado na Colômbia, envolvendo todas as modalidades aquáticas, está confirmado e com todos os procedimentos sendo tomados para este fim. O corpo técnico e administrativo da entidade esteve reunido durante o dia de hoje, 6/04, com o administrador para traçar uma rotina de trabalho que garanta o funcionamento da Confederação.

A administração da CBDA forneceu todas as informações e documentos solicitados pelas autoridades policiais e aguarda mais instruções do departamento jurídico.

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